COMO É QUE FICA?


Por Tribuna

14/07/2011 às 07h00

Na transcrição de sua fala ontem, na Câmara dos Deputados, o diretor afastado do Dnit, Luiz Antônio Pagot, se disse envergonhado sobre a construção da BR-440, defendeu que a obra seja paralisada e que as responsabilidades sejam investigadas. Se a empresa tiver de devolver dinheiro, que se viabilize isso e que se busque uma melhor solução, porque o povo de Juiz de Fora não merece isso, teria dito. A dúvida é saber como é que fica o projeto daqui por diante, já com alguns pontos concluídos e outros – a maior parte – ainda por fazer. Seria a obra dada como abandonada ou haveria conclusão do que já está em curso, ou, ainda, seria feita nova licitação e novo projeto isento das demandas causadoras da polêmica?

Essas indagações farão parte da discussão que se travará daqui por diante para evitar o comprometimento dos cofres públicos e da população afetada pelo empreendimento. Afinal, se já foram consumidos R$ 60 milhões em quatro quilômetros, como denunciou o deputado Júlio Delgado, são necessárias explicações, mas também alternativas. O Brasil é pródigo em obras de meio caminho que se perdem ao relento por diversos fatores, a começar por erros de execução, falta de recursos e até mesmo por impasses políticos.

A rodovia, que se tornou mais problema do que solução, precisa ser discutida abertamente pelo Dnit, que, durante bom tempo, ficou alheio à sua construção. Como disse o próprio Pagot, só há cerca de ano e meio é que assumiu a responsabilidade. Uma obra de tantos anos já deveria ter sido concluída ou abortada ainda na origem, mas parar tudo e deixar por isso mesmo é um contrassenso, como também o é fechar os olhos para as eventuais irregularidades.

Embora não se saiba se Pagot continuará à frente do Departamento, o tema não pode sair da agenda sob risco, aí sim, de os responsáveis serem obrigados a pedir desculpas à população. Mas isso só não basta. É preciso uma solução.