OLHAR NO FUTURO


Por Tribuna

28/06/2011 às 07h00

Com grande recorrência, fala-se da educação como pedra de toque da sociedade. Sem ela não se faz mudanças ou se promove a igualdade. Muito menos se vence impasses como o da violência, pois a falta de instrução fecha caminhos, causa intolerância e, por fim, estimula atalhos, nem sempre adequados aos princípios éticos ou morais. Mas o investimento na educação está aquém do discurso. O modo como ela ainda é tratada no país é precário, mesmo com todos os avanços, e foi preciso uma especialista, como a professora Bernadete Angelina Gatti, para se concluir que há um longo caminho a ser trilhado. Em entrevista à Tribuna, ela advertiu que a formação dos professores atravessa uma crise profunda e enfatizou que ela é consolidada no final do século XIX e no começo do século XX. E nós nunca modificamos essa estrutura.

De fato, há visível distanciamento entre teoria e prática, como é comprovada na dificuldade do professor em se estruturar para o conhecimento próprio e para dar aulas. O Estado – e aí vale para as três instâncias de poder – ainda não se convenceu de que ser professor não é apenas o tempo dentro de uma sala de aula e nem de que é impossível manter a qualidade do trabalho perambulando de escola em escola para complementar o salário do fim do mês. Quando isso ocorre, e ocorre com frequência, alguém sempre sai perdendo, ora é o aluno, ora é o próprio educador.

Mas é necessário constatar que ocorreram mudanças profundas nos últimos 15 anos. O ex-ministro Paulo Renato, sepultado ontem em São Paulo, foi alvo de todas as homenagens por ter, na sua gestão, criado o Enem, o Fundef e o Bolsa Escola, o primeiro, fundamental para a correção de rumos. É possível constatar que no seu mandato e nos seguintes, como apontou a Bernadete Angelina, os investimentos cresceram e a preocupação com o segmento aumentou.

Mas educação não é um bem perecível que se consome só uma vez e pronto. É preciso tê-la sempre entre as prioridades dos governantes, e sistematicamente revigorada, pois é o norte que vai gerenciar o futuro. Um país que tem vocação e interesse em ocupar o patamar de primeiro mundo deve ter a preocupação premente de investir no setor, pois não há outro caminho.