OLHO NOS PRAZOS


Por Tribuna

24/04/2011 às 07h00

Em reunião com prefeitos petistas, o ex-presidente Lula defendeu a criação de alianças e convidou os correligionários a repetirem o gesto de buscarem para vice um empresário. Busquem um Alencar, recomendou, numa clara observação de que isolados nem mesmo os grandes partidos conquistam o poder. Tem razão. Somente ao buscar num oposto um vice que acalmasse o mercado e sinalizasse que não haveria radicalismos é que ele venceu sua primeira eleição para presidente.

No outro extremo, o senador Aécio Neves, tendo ao lado o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, defendeu a antecipação das discussões sobre as coligações, especialmente com o DEM, partido que vive uma crise existencial com a dissidência de vários políticos, a começar pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que saiu e criou o PSD.

As afirmações das duas lideranças são um claro indício de que a campanha municipal já está entrando em cena, embora estejamos ainda no primeiro semestre de 2011, fato que deve chamar a atenção dos deputados e senadores, ora engajados na reforma política, que tem de andar rápido, a fim de impor as novas regras já no próximo pleito. Para isso, porém, precisam acelerar o passo, pois elas só valerão se as mudanças forem aprovadas até 5 de outubro, um ano antes da próxima disputa.

Este tem sido o problema da instância política, que não consegue conciliar votação e prazos, deixando as principais demandas para última hora. As propostas até agora apresentadas, muitas delas importantes, ainda carecem do pente fino das legendas e, principalmente, da aprovação do plenário. E não é algo simples quando há interesses opostos em questão. Abril já está terminando, e em julho há recesso. Faltam, pois, poucos meses para uma solução.