NOVA POSTURA
É bom que o tema violência entre na agenda dos políticos, como ocorreu em duas audiências públicas simultâneas em Juiz de Fora e Belo Horizonte, e faça parte dos discursos, como os que foram apresentados na Câmara em função de reportagem da TV Record, da capital, apontando a ação das gangues no Centro e na periferia da cidade, mas é preciso fazer do debate uma questão eminentemente de interesse coletivo, e não uma demanda para chegar aos palanques, como há sempre o risco de ocorrer, ainda mais às vésperas de um ano eleitoral. O material exibido pela televisão, a propósito, não é inédito. A Tribuna, há anos, vem apontando o envolvimento cada vez mais prematuro de adolescentes na onda das galeras. O resultado, que em princípio poderia dar tese para os estudiosos em função da busca de identidade e confirmação de pertencimento, é grave; alguns conflitos chegaram ao extremo de homicídios, mas nada indica, como foi sugerido, que a cidade está fora de controle.
O papel do Estado é o ponto central das discussões, realçando, pois, a importância das audiências públicas que trataram da violência nas escolas. O enfrentamento das gangues já não é mais restrito às ruas. As escolas tornaram-se ponto de encontro, e alunos, professores e servidores entraram na zona de risco, até mesmo dentro das salas de aula. Como uma coisa puxa outra, até mesmo o comportamento dos adolescentes mudou. O mestre, figura que emanava respeito e admiração – mesmo quando exagerava nos gestos, como puxar orelhas -, perdeu o seu status, sendo desafiado cotidianamente por alunos e pais de alunos inconformados com algumas decisões.
Como escola e família são as principais referências para atitudes posteriores, é vital investir nessas duas frentes, deixando a repressão – importante e necessária – como uma das etapas, e não o único meio de coibir o problema. O discurso recorrente nos dois eventos foi ampliação do número de policiais à porta das escolas. É um ponto importante, mas é necessário mexer com cabeças, mostrando aos jovens que é possível fazer parte de grupos sem, necessariamente, inibir o outro; é possível pertencer a uma comunidade sem fechar as portas para o relacionamento. Enquanto o individualismo for a tônica e o exibicionismo um destaque, haverá sempre espaço para preocupação.











