COQUETEL DA MORTE
É recorrente nas discussões em torno do combate às drogas a importância do controle das fronteiras. Hoje, pela falta de contingente suficiente para cobrir uma vasta divisa, os traficantes usam e abusam do traslado de drogas e armas. A novidade, agora, mas ainda restrita a algumas cidades, é o oxi, abreviação de oxidado, uma mistura de base de cocaína, querosene – ou gasolina -, diesel e até solução de bateria, contando ainda com cal e permanganato de potássio. Um coquetel da morte, que supera o crack em seus danos.
Quando este começou a circular, falava-se de sua capacidade letal de seis meses; por isso, o preço baixo. Mesmo com tais advertências, ele se disseminou pelo país afora e tornou-se um flagelo que entrou até mesmo na agenda dos prefeitos durante sua marcha para Brasília. Hoje, 98% dos municípios têm a droga em seus territórios.
Trata-se de uma luta sem quartel, permanente e dura, já que a mobilidade do tráfico impressiona. Mesmo com campanhas de toda ordem chamando a atenção para os danos do consumo, a lista de usuários só cresce, obrigando o estado a uma vigília permanente. O enfrentamento, hoje em escala desigual, tem que ser feito em várias frentes, sobretudo nas instâncias escolares e familiares. Os valores sendo outros obrigam a novas estratégias.
O modo como a juventude vê o mundo é plenamente distinto de quem tem mais de 40 anos, não só em função do mercado e do trânsito da informação, mas também no modo de agir. O individualismo se exacerba em contraste com a tecnologia, que aumenta as relações; a troca de experiências não tem sido suficiente para chamar a atenção para as mazelas. Ao contrário, elas se espalham, e o que era fechado em determinadas comunidades tornou-se global.
As políticas públicas têm que caminhar pela mesma trilha. É preciso aumentar a troca de experiências, pois só assim será possível acompanhar o ciclo de mudanças cada vez mais curto.











