POUCO TEMPO
Com a discussão do Código Florestal que se arrastou pelos últimos meses, a reforma política entrou em hibernação no Congresso. As comissões especiais, tanto da Câmara quanto do Senado, pouco avançaram, e boa parte de suas propostas corre o risco de cair em plenário, tal a diversidade de opiniões e de interesses. O problema é que o tempo está avançando, e, se há alguma pretensão de colocá-la em vigor já para as eleições do ano que vem, tudo terá que terminar até outubro. Maio já se aproxima da metade, em junho as bancadas nordestinas vão para casa celebrar São João, e julho é mês de recesso. O tempo é mais curto do que se espera.
Se as principais mudanças ficarem para depois, estará sendo cumprida uma rotina anunciada: deputados e senadores têm um timing próprio, distinto da opinião pública, que cobra as mudanças com celeridade. Em um ano neutro, isto é, sem qualquer eleição, o mínimo que se esperava era uma discussão mais intensa, sem a contaminação ideológica que marca o ciclo de campanha. Mas não foi isso que ocorreu. A legislatura foi empossada, as comissões instaladas, mas ainda há um longo caminho até a votação em plenário.
Melhor exemplo pode ser encontrado no Código Florestal, que está em debate desde o mandato passado. Ele está na agenda do Congresso por pressão das ruas e do Governo, interessado em encerrar a polêmica que envolve a matéria. Esse mesmo Governo, no entanto, ainda não disse o que quer da reforma política, preferindo deixar a discussão para os parlamentares. O problema, porém, é que, sem a participação do dono da agenda – aquele que tem a caneta -, poucas demandas andam na instituição. Assim, a culpa, se tudo ficar para depois, não será exclusiva do Legislativo. A conta vai cair também no colo do Planalto.











