Antes prevenir que remediar
Esse antigo ditado, conhecido por todos nós, tem aplicação em tudo na vida e pode ser também utilizado pelos governantes que comandam nosso país. Para que uma sociedade se desenvolva, o primeiro passo é ter prioridade nas políticas, passando a aplicar mais tempo e recursos na prevenção e na causa, e não apenas nos efeitos e consequências.
Na saúde, por exemplo, tem-se investido muito na busca de descobertas para solucionar doenças e na elaboração de novos medicamentos, mas falta empenho em uma política de prevenção eficaz. Se houvesse mais incentivos para a prática de atividades físicas e para a reeducação alimentar, evitaríamos novos casos de obesidade e, consequentemente, problemas de saúde como hipertensão e diabetes. Investir em educação de qualidade para todos os brasileiros, com escolas de tempo integral, diminuiria o alto índice de analfabetismo e contribuiria para formar pessoas mais capacitadas para trabalhar no futuro.
Isso tudo parece muito óbvio e básico para o funcionamento de uma sociedade, mas, na prática, o óbvio muitas vezes é deixado de lado para dar espaço a falsas prioridades. A guerra contra as drogas é um fiasco. Quanto mais ações são realizadas visando ao combate, mais pessoas tornam-se usuárias de substâncias ilícitas. Onde está o trabalho de prevenção?
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) usa a expressão corrupção nas prioridades, que ilustra bem o que quero dizer. É claro que não devemos nos esquecer de resolver os problemas já consolidados, mas é preciso que nossos governantes enxerguem que políticas de prevenção são primordiais. Há muito mais dentro da corrupção do que a subtração direta de recursos públicos. A corrupção nas prioridades não traz punição para o gestor. Ele pode investir legalmente em uma área, como a cultura, por exemplo, enquanto a saúde está um caos e precisando de mais atenção.
A falta de investimentos em ações que darão melhores condições de vida à população abre brechas para a implantação de projetos que não vão mudar em nada a realidade de nosso país. Por isso, devemos ficar atentos e buscar que nossos representantes passem a combater a origem dos problemas sociais, pois só assim começaremos a ver soluções e resultados, e não apenas promessas políticas.










