Ironias da história


Por ABRAHAM GOLDSTEIN, PRESIDENTE, NO BRASIL, DA ENTIDADE JUDAICA BNAI BRITH

11/11/2012 às 07h00

O dia 9 de novembro, passado nessa última sexta-feira, é um dia de luto para todos os que defendem o respeito dos direitos humanos, em qualquer longitude ou latitude, e para a história alemã, em particular. Em 9 de novembro de 1938, tropas de assalto nazistas destruíram centenas de sinagogas, residências e empresas pertencentes a famílias judaicas, matando várias dezenas de pessoas na Alemanha e na Áustria. Era a famigerada Noite dos Cristais.

Na mesma data, 15 anos antes, um fanático de bigodinho à la Chaplin, Adolf Hitler, tentava um golpe de Estado em Munique, no que ficou conhecido como o frustrado putsch da cervejaria. Hitler foi preso e, atrás das grades, amadureceu uma nova tática: em vez de confrontar as elites tradicionais da Alemanha, aproximou-se delas, apresentando-se como a melhor alternativa contra o comunismo. Esse giro e a incapacidade dos partidos de esquerda e de centro em se unirem contra a barbárie foram fundamentais para que ele chegasse ao poder, em 1933, abrindo caminho, claro, para a Noite dos Cristais.

Mas foi também em um 9 de novembro, este de 1918, que o kaiser Guilherme II, imperador germânico, renunciava, iniciando um período de turbulência que culminaria com efêmeras duas décadas de democracia e de grande florescimento cultural no país.

E foi ainda em um 9 de novembro, 81 anos depois da renúncia do kaiser e 51 anos após a Noite dos Cristais, que a Alemanha e o mundo festejavam a queda do Muro de Berlim, selando o fim de quase cinco décadas de Guerra Fria.

Um 9 de novembro de luto, um 9 de novembro de comemorações. São as ironias da história: é preciso festejar e também aprender com os erros, para jamais repeti-los, em defesa de todos.