A verdadeira opinião pública


Por NORALDINO JÚNIOR Vereador

30/07/2013 às 07h00

No último mês de junho, vimos nascer um verdadeiro movimento coordenado pela população, que se uniu, foi para as ruas lutar por seus direitos e protestar contra a corrupção, contra os gastos exagerados com os estádios da Copa, os altos valores do transporte público, contra a falta de investimentos na saúde e educação, contra o mau uso do dinheiro público. Acompanhamos a organização das manifestações pelas redes sociais, e, a cada dia, mais brasileiros se juntavam ao movimento, que chegou a reunir centenas de milhares de pessoas em diferentes cidades.

Esses eventos contradizem a famosa frase de Winston Churchill, muito utilizada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que diz: Não existe opinião pública, o que existe é opinião publicada. Por esse princípio, toda reação da população tem início em uma matéria ou notícia publicada pela mídia. Pode até ser que movimentos anteriores tenham começado assim, com os chamados formadores de opinião moldando a opinião pública e conduzindo a população às ruas. No entanto, o que vimos há um mês é um movimento espontâneo, essencialmente popular. O movimento batizado de Junta Brasil nasceu da indignação, da insatisfação da forma como vem sendo tratado o que é público ao longo dos tempos.

A presidente Dilma, que disse não perder um episódio de Game of thrones, deve ter se lembrado do sexto episódio da segunda temporada da série ao fazer seu pronunciamento no dia 21 de junho. Neste episódio, o rei Joffrey caminhava pelas ruas e foi surpreendido pela população, que, com fome, tentou atacar seus companheiros e ele. Proporcionado pelas redes sociais, que possibilitaram a comunicação em massa, e diferentemente de Game of thrones, em que a fome era de alimento, o que motivou o movimento brasileiro foi a fome de mudança, a fome de justiça, de segurança, de saúde, a fome por políticas e políticos sérios, que priorizam o coletivo e não o pessoal.

Ao contrário do que muitos pensam, o movimento não afetou somente o setor político, mas sim todo o setor público. O que era comum – como o presidente da Câmara usar o avião da FAB para assuntos pessoais e o governador usar o helicóptero do Estado para buscar o vestido de sua esposa ou levar o cachorro para o veterinário – não é tolerável e, muito menos, aceito pelo povo. É hora de nós, políticos, refletirmos e nos adaptarmos ao desejo popular. Viva as redes sociais, viva a opinião pública.