Triângulo e samba


Por CLÁUDIA LAHNI

08/07/2011 às 07h00

A Seleção Brasileira Feminina de Futebol venceu a Guiné Equatorial por 3 a 0 nesta quarta, em Frankfurt, na Alemanha. Com isso, a Seleção Brasileira está classificada antecipadamente para as quartas de final da Copa do Mundo Feminina de Futebol.

Não obstante a vitória brasileira e o nosso ótimo futebol feminino, o que mais me chamou a atenção foi a primeira imagem que vi na TV: a Seleção no corredor do vestiário – rumo à concentração, para antes do aquecimento e jogo – descontraída, feliz, batucando e cantando Flor de Liz (bela canção do Djavan). Estavam de duas em duas, em fila, parece que todas com instrumentos de percussão, tocando, cantando e andando em direção à partida.

À frente, sorrindo, estava Marta. Eleita cinco vezes seguidas a melhor jogadora do mundo, ela tocava triângulo! Contagiada por aquela leveza, alegria e música bonita, pensei: quem precisa do triângulo para fazer samba? A brasileira, melhor do mundo, não está com o grande atabaque, o surdo ou o necessário pandeiro (que me desculpem as amantes dos demais instrumentos de percussão)… Com humildade, toca triângulo. A imagem me mostrava uma liderança que, com simplicidade, mostrava a importância de todas.

Uma busca sobre o instrumento triângulo me respondeu que se trata de algo de percussão, feito de metal e usado no folclore português e também em algumas músicas brasileiras, como o forró (segundo está no Wikipédia).

Refleti sobre o símbolo triângulo. Muito usado em campos de concentração nazistas, invertido e com cores diferentes. O triângulo preto era costurado em roupas de lésbicas e mulheres consideradas antissociais, como feministas e anarquistas. Virou símbolo das lésbicas. Pensando nisso – em tempos de conquistas lésbicas como a aprovação do STF (Supremo Tribunal Federal) de igualdade entre a união estável de homossexuais a de heterossexuais e de retrocessos, como a censura ao kit contra a homofobia, pelo Governo federal, e os ataques a homossexuais feitos por neonazistas -, emocionei-me ainda mais com a liderança daquele samba feminino.

O jogo terminou 3 a 0. Dois gols de Cristiane e um de Érika. Uma jogadora da Guiné Equatorial não desgrudou de Marta, por vezes impedindo-a de jogar. Mas ela estava lá, vitoriosa marcada, liderança humilde e símbolo, juntamente com o coletivo que jogou e ganhou.

O Brasil todo precisa do triângulo.