Dilma não quer ‘volta Lula’


Por PAULO CESAR DE OLIVEIRA Jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report

01/08/2013 às 07h00

Está certa a presidente Dilma quando reclama e pede que sejam silenciados os petistas do volta Lula. Estes gritos, por minguados que sejam ainda, atrapalham, sim, a governabilidade e ouriçam os que admitem mudança de lado. Tiram da presidente aquilo que tem de mais importante para segurar em seu lugar a base de sustentação de seu governo: a perspectiva de poder. Os gritos sinalizam que há dentro de seu partido quem a considere fraca para disputar a reeleição. E isso espanta apoios.

No fundo, todos sabem que será, mesmo, ela a candidata do PT. Lula tem pelo menos três razões para não disputar novamente o Governo. A primeira é a guerra que terá que enfrentar, pois tudo o que dele se diz à boca pequena vai parar nos horários eleitorais, expondo sua vida. A segunda é o risco de perder, existente em qualquer disputa eleitoral, e a terceira é, finalmente, o risco de ganhar. Aí, no Governo, será comparado não mais com Fernando Henrique, mas com ele mesmo.

Já não terá programas sociais para criar. Apenas administrará os existentes, alguns deles já em questionamento. Mas se não é candidato, Lula precisa deixar as luzes de protagonista. Que seja protagonista, mas nos bastidores. Não pode continuar passando a impressão de que é ele quem governa. Como agora, no caso da redução dos ministérios, quando, um dia antes de se reunir com a presidente, anunciou que tinha a impressão de que a presidente não vai reduzir ministérios.

Mais ainda, deixou claro que os ministérios, em sua maioria, são apenas políticos, ao dizer, na Latinidade 2013, em Brasília, que ninguém quer acabar com o Ministério da Fazenda, mas sim com o de Igualdade Racial. E que por isso é preciso ficar esperto. Transformou em política uma questão que é meramente de racionalidade administrativa. Se deseja mesmo ajudar a presidente, o ex poderia ficar na coxia, deixando que ela faça o espetáculo. Se continuar falando, vai atrapalhar mais do que ajudar. A não ser, claro, que ele pense mesmo em ser candidato.