Um Menino nos foi dado


Por LEIGOS CATÓLICOS

24/12/2011 às 07h00

Celebrar o Natal é rotina no calendário anual dos povos do ocidente cristão e isso sempre aconteceu para que não perdêssemos a memória de que, um dia, na pequena e distante cidade de Belém, um Menino nos foi dado. A história da humanidade, tecida e testemunhada por muitos, nos diz que, há mais de dois mil anos, Deus abriu mão de suas prerrogativas divinas e se fez carne no corpo pequeno de uma criança pobre, criatura frágil e vulnerável, sujeita a todas as vicissitudes humanas. Assim sendo, armou definitivamente sua tenda no meio de nós, para que nunca mais ninguém se sentisse impotente e só, nas suas cotidianas fragilidades. No entanto, esta data que, pelo acontecimento fundante maravilhoso e miraculoso, pretende se fazer momento de rememoração, de festa, de celebração, de encontro, de reconciliação e de paz entre os povos e pessoas, está prestes a ser esquecida, pela sua motivação originária.

A cultura atual nos impõe um viver apressado demais, no qual todas as coisas valem pelo sucesso imediato, instantâneo, glamoroso, com final feliz, pleno de bens materiais. Desse modo, o Natal passou a ser uma festa da sociedade de consumo, com um marketing cada vez mais sofisticado e eficiente, oferecendo a possibilidade de prêmios extras para aqueles que mais gastam. Tornou-se ainda a festa da mesa farta e da presença das pessoas queridas para alguns, e da frustração e da solidão para outros, porque deixou de ter como motivação a partilha espontânea e o bem querer que nos irmana.

Os enfeites das ruas e shoppings poucas vezes trazem a lembrança do Menino Deus com seus pais, entre panos, animais, anjos, magos e estrelas. O que vemos hoje são luzes em profusão, que às vezes até ofuscam os olhos de quem as fita, e imagens que nem de longe relembram o motivo da festa celebrada: florestas povoadas por ratos, sapos, ursos e armadilhas; gordos Noéis sonolentos e brinquedos que distraem a atenção das crianças que passam.

Aqui e ali, no entanto, aparecem alguns vestígios da festa verdadeira: os presépios, as cantatas, as orações, os encontros generosos, os gestos de solidariedade. Estes são sinais de que nem tudo está perdido em meio à confusão das cidades cada vez mais barulhentas, inóspitas e poluídas.

O menino Jesus, dono da festa, apesar de tudo, ainda se faz presente, insistindo em mostrar que o amor gratuito, desinteressado e oblativo ainda existe e habita corações, às vezes aparentemente ressequidos, e que a oferta da vida em favor dos mais pobres e necessitados é garantia da paz verdadeira, possível e visível, mesmo em meio aos conflitos de cada dia.

Assim sendo, desejamos a todos um feliz e santo Natal, na esperança de que Jesus, ao renascer a cada ano, nos recorde que a busca constante de uma vida plena em humanidade nos aproxima do nosso desejo mais íntimo, e às vezes até escondido de nós mesmos, o de nos sentirmos felizes por estarmos no caminho de sermos aqui na História parecidos com o que Deus é eternamente.