Vitória das mobilizações
A vitória alcançada pelas mobilizações populares é uma demonstração de que vale a pena lutar. Uma das conquistas mais preciosas do povo brasileiro ao derrubar a ditadura há quase 30 anos e ao superar os governos neoliberais, há uma década, foi exatamente o direito de lutar. Construir um país mais democrático, soberano, uma nação forte e progressista não prescinde da mobilização e da luta popular, que, no caso das recentes manifestações, foram capazes também de derrotar a arrogância e a repressão policial-militar.
Certamente, ao fazer o balanço da luta e das conquistas, as lideranças serão capazes também de examinar a condução política e os métodos empregados no movimento, diferenciando-se de minorias provocadoras, cujos atos violentos são prejudiciais à população e ao patrimônio público. A mobilização popular em torno da reivindicação de reduzir as tarifas dos transportes urbanos trouxe à tona uma enorme insatisfação que se espraia no país com as difíceis condições de vida, a precariedade dos serviços públicos de saúde e educação, com a insegurança em face do aumento da criminalidade, apesar das inegáveis conquistas sociais da última década. A corrupção e o desperdício de dinheiro público também despertam a justa revolta da população.
Tudo isso demonstra que entra na ordem do dia a luta por reformas estruturais democráticas para atender aos justos reclamos populares e avançar na luta para construir um país democrático e justo, com progresso social.
Em mais de cem cidades, dentre elas 25 das 26 capitais, realizaram-se manifestações de massas que mobilizaram mais de um milhão de pessoas. Um movimento cívico, popular, combativo, jovial, irreverente e – pela orientação dos seus organizadores e vontade da maioria dos participantes – pacífico.
Em face dos flagrantes contrastes e desigualdades sociais nos grandes centros urbanos, que mais se assemelham a caóticos aglomerados de pessoas do que a cidades humanas e organizadas, a reivindicação em torno da questão dos transportes logo extravasou para outros temas igualmente sensíveis. A lição maior destes dias é que o processo democrático não se restringe à democracia representativa, e sim ao exercício pleno da participação popular.











