Voto nulo ou em branco
Mais um pleito se aproxima, e, infelizmente, escutamos, a todo instante, as pessoas dizerem que vão anular ou votar em branco, como se tal atitude fosse beneficiar nossa cidade, expressando apenas uma total omissão de fazer valer seus direitos perante um momento importante: eleições que vão determinar o prefeito de Juiz de Fora e os vereadores que vão compor a nossa Câmara Municipal.
É uma forma de protesto? Sim, mas um protesto burro! Por que votar em branco? Por que anular o voto? Em qualquer destas duas situações, o voto não vale na hora da contagem, e o destino é um só: a omissão! Alguém ainda crê na possibilidade de que, com mais de 50% dos votos inválidos, a eleição será anulada? É a mesma coisa que acreditar na história de Rapunzel, que, com suas tranças, conseguiu içar o príncipe encantado à torre na qual se encontrava segregada.
Existe uma forma mais inteligente de expressar seu descontentamento com a classe política de sua região. Basta selecionar um candidato, dentre outros, pesquisando o seu passado e, no caso de um postulante à reeleição, procurando saber, através de fontes seguras, o que este fez pelo cidadão de bem, pelas classes menos favorecidas e pelas áreas da saúde, educação e transporte público. Opte sempre por desconsiderar o seu voto para o político que cede os uniformes de futebol para o time da sua comunidade, os milheiros de tijolos, as dentaduras e as políticas assistencialistas que tornam paliativas as soluções dos problemas que afligem a população de uma cidade, pois cabe ao Poder Executivo e a seu secretariado solucionar este tipo de problema, por meio da utilização racional do dinheiro público, que deve ser fiscalizado por cada vereador.
Segundo Frei Beto, o voto é importante para configurarmos um país melhor. O Brasil depende dos municípios, que são a base da sociedade. É no município que está o ensino fundamental, o posto de saúde e o transporte público coletivo. Se queremos melhorar a vida de cada um de nós na cidade, temos que estar atentos às eleições.
Anos atrás, o presidente do nosso país era eleito por um colégio eleitoral, os governadores de estado eram indicados pelo presidente da República, as capitais e as cidades, consideradas áreas de segurança nacional, eram administradas por prefeitos indicados pelo governador, e, pasmem, existiam ainda os senadores biônicos, que não eram eleitos por sufrágio popular, mas, sim, impostos nos tempos da ditadura. E vem a pergunta: votar em branco ou anular o voto faz valer a cidadania?
Ainda que nos decepcionemos com certos políticos, é possível encontrarmos pessoas sérias e honestas. Neste caso, abdicando do direito de votar em alguém, afastamos da política pessoas de boa índole e permitimos que outras, de má índole, se locupletem do poder e do dinheiro público, com o aval daqueles que se orgulham de votar em branco ou nulo. Não adianta sair pela rua criticando a classe política! Tem que fazer valer a força do voto! Diga não à omissão! Assuma sua responsabilidade!









