Pão vivo, que desceu do céu
Em todo mundo, os fiéis católicos celebram na quinta-feira, 30 de maio, após a solenidade da santíssima trindade, a festa cristã comumente chamada de Corpus Christi, expressão latina que significa corpo de Cristo. Celebrar Corpus Christi é fazer memória solene da última ceia, quando Jesus disse: Este é o meu corpo… Isto é o meu sangue. Um memorial de imenso benefício para os fiéis, deixado nas formas visíveis do pão e do vinho, um sacramento – a eucaristia – para a vida da Igreja (Santo Agostinho). Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs.
Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados históricos e de diversas significações. Entretanto, foram as visões eucarísticas de uma freira agostiniana, chamada Juliana, na diocese de Liége, na Bélgica, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do santíssimo sacramento. Nas suas visões, ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse o sacramento da eucaristia, e sentiu-se a necessidade de realçar a presença real do Cristo todo no pão consagrado. Nasce, assim, a festa do Corpus Christi! Uma festa estendida pelo Papa Urbano IV, em 1264 (séc. XIII), a toda a Igreja latina.
Hoje, do mesmo modo que há oito séculos, a solenidade do Corpus Christi, muito mais do que uma festa litúrgica, assume um caráter devocional popular revestido de inúmeras manifestações de fé. O povo sai em procissão pelas ruas e anuncia publicamente que o sacrifício de Cristo é para a salvação do mundo inteiro, demonstrando a alegria de pertencer ao corpo místico de Cristo e pedindo as bênçãos de Jesus eucarístico para suas casas e famílias. Esta procissão do Corpus Christi lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da terra prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, no deserto.
Com a instituição da eucaristia, o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo. No Brasil, esta festividade constitui tradição, e o costume de enfeitar as ruas com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa ainda é muito comum em vários lugares. Verdadeiramente, a eucaristia torna presente Cristo ressuscitado, que continua a oferecer-se a todo ser humano, chamando-o a participar da mesa do seu corpo e do seu sangue. Ela é a suprema oração dos cristãos, e, por isso, ao acompanhar o Sacramento Eucarístico ao longo das ruas da cidade, ao lado dos edifícios, onde o povo vive, se alegra, sofre; no meio dos negócios e escritórios nos quais se desenvolve a atividade cotidiana, o cristão deseja levar Jesus Cristo ao contato com a vida insidiada por mil perigos, oprimida por preocupações e sofrimentos, submetida ao lento, mas inexorável desgaste do tempo (Papa João Paulo II). Nesse ato público de fé, os cristãos anunciam a sua necessidade de participar da eucaristia para serem bons trabalhadores, bons estudantes e, principalmente, bons adoradores do único e verdadeiro Deus.
Testemunhando as maravilhas de Deus, por meio da eucaristia, agradecendo esse dom do pão, corpo de Cristo, possa o cristão abrir seu coração àqueles que no mundo não têm acesso ao pão de cada dia.











