A crise e o agir dos cristãos
Há, ao redor de nós, uma sensação de mal-estar. Nova onda da crise mundial iniciada em 2008, agora com epicentro na Europa. As notícias: desemprego, redução de salários dos empregados, ameaças à previdência com riscos às aposentadorias, começam a ser fatos para nossos irmãos que moram em países que já tinham alcançado patamares satisfatórios de bem-estar social. Nos países mais pobres, voltam a nos assombrar as fotos de crianças esqueléticas, com faces de sofrimento e fome que ceifam vidas. Nos ditos emergentes, como o nosso, a insegurança: como isso vai nos atingir?
Um fato novo, porém: desde 2008, é a primeira vez que vemos grupos se organizarem para protestar, esparsos pelo mundo. Embora suas palavras de ordens ainda sejam muito genéricas, elas começam a apontar para as reais causas da crise.
Desde a grande crise de 1929, e principalmente depois da 2ª grande guerra, os povos dos países mais desenvolvidos, sobretudo na Europa, construíram lentamente Estados de Bem-Estar Social (welfare state), fizeram conquistas importantes com melhoras concretas na qualidade de vida das populações.
Após a queda do muro de Berlim, o setor bancário e as Bolsas de Valores, que teoricamente teriam a função de organizar poupanças e investimentos para sustentar a produção de bens e serviços, começaram a hipertrofiar atividades especulativas. Pariram um mercado financeiro mais preocupado com especulações, próximo de cassinos, no qual o principal propósito é criar bolhas de valorização de mercados futuros, especulação imobiliária, manipulação de juros, fazendo uma série de manobras, que na prática criam montantes enormes de dinheiro virtual, manipulando governos e pessoas a um consumo insensato. Na hora de acertar as contas é que se vê que todo o dinheiro consumido não existia, os bens adquiridos ou penhorados se transformam em enormes dívidas, cuja conta, governos ineptos e organismos internacionais empurram para o povo sob forma de desemprego, desprevidência, miséria e fome, destruindo o bem-estar das pessoas. Os especuladores saem mais ricos ou são socorridos pelos governos, com o dinheiro do bem-estar dos cidadãos.
A consciência cristã nos conclama a estarmos atentos à incipiente organização que pipoca pelo mundo, ainda débil e desorganizada. Em todo o mundo, os ameaçados começam a se organizar. Seguramente nosso agir cristão será convocado. A concentração imoral e criminosa de bens não pode ser paga com o sofrimento do povo.










