Murphy em Ribeirão das Neves
Santo Deus! Após as declarações estupefacientes de nosso ministro da Justiça, ilustre senhor José Eduardo Cardozo, de que preferiria morrer a ser preso em nossos infectos, insalubres – moralmente, inclusive! – presídios, que estão sob sua responsabilidade operacional, vem logo a notícia de que – até que enfim! – teremos a inauguração do primeiro presídio privatizado em território brasileiro! Justamente em Ribeirão das Neves, cidade apelidada de Ribeirão das Trevas, pois já aloca quatro presídios públicos! Justamente numa associação público-privada, dentro da parceria do PCC – perdão… PPP!-, vamos associar a impunidade pública – ou é nossa?!- com a imoralidade privada – do lucro a qualquer preço -, nesse Brasil onde já se banalizou o crime e se cristianizou – perdoe-nos, Jesus Cristo! – o lucro material, doa a quem doer!
Se chamássemos o caro Murphy ao Brasil, para enfocar tal associação, repito, do crime banalizado com a cristianização do lucro material, e lhe pedíssemos para opinar, tenho a certeza de que apenas repetiria seu célebre e já universal dito filosófico, que afirma: de onde menos se espera é que… nada acontece. Mas, como concluí, por experiência própria, que, mais do que a esperança, a curiosidade é a última que morre, vamos esperar para ver o que acontecerá! Coragem, Ribeirão das Trevas… Perdoem-me, das Neves! Acredito que, se não estivéssemos nesse Brasil em transição entre o certo e o errado, entre o legal injusto e o justo fora da lei, onde prevalece a lei do mais forte – leia-se empresários, banqueiros e traficantes -, onde a própria instituição policial tem se confrontado com a corrupção entre aqueles que deveriam combatê-la, onde o chamado setor público das cadeias só nos mostra ladrões de galinhas, habitando xilindrós lotados – o que eles mostram quando estendem as mãos e dedos, abrindo e fechando, evidenciando a superlotação de pobres seres humanos, mais vítimas da falta de oportunidades do que de qualquer genética criminosa -, só posso terminar lhes perguntando: há sinceridade social e humana em tudo isso? Ou – pior ainda – quando conseguiremos dissociar essas maravilhosas PPPs dos infernais PCCs que nos ditam regras que só nos mostram que estamos na contramão da verdadeira democracia? Espero que o futuro fale melhor do que o presente!









