Desperdício oficial!
Incrível! Mal o povo brasileiro começou a despertar do seu sono esplêndido, voltando às ruas para protestar contra os desmandos praticados no seio da administração pública do país, tendo como autores, coautores e beneficiários diretos ou indiretos os políticos de má formação moral e péssimo caráter, nossa ilustre e bem-intencionada presidenta Dilma Rousseff dá o seu primeiro e grande escorregão ao liberar uma vultosa verba de 13 milhões de reais para que seja criada e instalada – em Brasília, nas proximidades do Palácio do Planalto – uma estátua com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo se anuncia, servirá como monumento do patrimônio público nacional. Pois bem! Apesar de não ter sido eleita com o meu voto, comecei a admirar a presidenta a partir do seu primeiro pronunciamento à Nação, logo após a proclamação dos resultados das urnas. Nele, era notória a ausência da maquiagem marqueteira especialmente produzida, antes, para a então candidata! Meses depois, já no exercício da Presidência, logo após haver titubeado no episódio relativo ao ex-ministro Antonio Palocci, sua excelência começou a firmar-se e, em poucos dias, vários ministros tiveram que deixar o Governo sob a acusação de serem agentes – ativos e/ou passivos – dos focos de corrupção nos respectivos ministérios.
A partir daí, tive a nítida impressão de que a nossa presidenta começava a libertar-se das amarras lulistas que lhe estavam impedindo a caminhada com a desenvoltura necessária. Seu desapego aos holofotes, aliado à discrição e à simplicidade de suas aparições públicas, eram sinais evidentes e positivos de que a presidenta ia, aos poucos, revelando – ao Brasil e ao mundo – sua notória vocação de estadista! Apesar disso, no entanto, é forçoso reconhecermos que sua decisão de liberar tão vultosa verba objetivando cultuar a imagem do ilustre ex-presidente – seu padrinho político e principal eleitor -, além de não condizer com a imagem de estadista que vem sendo cunhada a cada dia, provoca um rombo desnecessário nos cofres públicos do país, ou seja, no já minguado bolso de todos os contribuintes!
Compreendo as dificuldades que a nossa presidenta encontra para agir com a liberdade plena necessária, tendo como parceiros próximos figuras como o senador José Sarney, o vice-presidente Michel Temer e tantos outros aliados da mesma linhagem! Mas, a bem da verdade, esse seu estranho e abominável gesto tem, no fundo, jeito, cheiro e sabor de puro exercício de vaidade que nos remete aos longínquos tempos dos faraós que se julgavam deuses e agiam como se o fossem! Ora, a marcha patriótica – que acaba de ser realizada pelo país em sinal de protesto contra a corrupção e os desmandos que, há décadas, proliferam na vida pública do país – tem agora mais um importante item para ser contestado: os gastos supérfluos por parte dos agentes políticos. Ou não seriam também esses uma outra forma de sangrar o cofre público da nação sem consulta prévia aos verdadeiros e únicos donos desse dinheiro, que somos todos nós brasileiros. Sim! Todos nós! Inclusive a presidenta Dilma que, mal assessorada, acaba de assinar a liberação dessa verba, em vez de determinar a redução dos impostos, por exemplo, para aliviar a carga tributária das micros, pequenas e médias empresas que são, a propósito, as responsáveis pela maior parte dos empregos formais e por mais de 65 % do PIB do país!










