Como melhorar o trânsito?


Por HENRIQUE NOGUEIRA REIS

20/10/2011 às 08h00

Dia após dia nos preocupa e nos perplexa a condição caótica e violenta que somos obrigados a enfrentar no trânsito de nossas cidades. As estatísticas estão aí para nos mostrar quantas vidas são ceifadas por imprudência, por desrespeito ou por negligência. Contra fatos não há argumentos. Se pouco ou quase nada podemos fazer com relação ao volume e ao fluxo de veículos devido ao aumento constante do número de usuários, muito podemos fazer no sentido de humanizá-lo, evitando muitas perdas de vida. Ou seja, podemos sim, e temos a obrigação de fazê-lo.

Nessa lógica, resolvi procurar os órgãos competentes do município para entender melhor o problema. Primeiramente a Polícia Militar. A informação que obtive por meio de um de seus oficiais foi a respeito de um convênio entre a Prefeitura de Juiz de Fora e a PM, determinando, dentre outros assuntos, que o gerenciamento e controle do trânsito na cidade está sob a responsabilidade da Prefeitura.

Continuando, na Prefeitura, o setor responsável (Settra) me informou que, sendo de meu interesse, poderia participar de uma reunião do Conselho de Segurança no Trânsito (Conset). No dia programado para a reunião, estavam lá presentes representantes da Getran, da PM e da sociedade civil, entre os quais eu me incluía. As reuniões são realizadas mensalmente com pautas tocantes à melhoria na qualidade do trânsito. No dia, a pauta foi relativa à educação no trânsito nas escolas. Infelizmente só um representante compareceu, o que encurtou a discussão. Com a ausência de uma nova pauta, fui apresentado, inquirindo-se o motivo pelo qual estava presente. Ao expor os motivos (humanização e qualidade no trânsito), relacionei algumas cidades que, por meio da sensibilização de seus gestores, têm implementado programas de melhoria na qualidade e humanização do trânsito. Como exemplo vivo, podemos citar Brasília (DF), Volta Redonda (RJ), João Pessoa (PB), São João del-Rei (MG), Viçosa (MG), Divinópolis (MG), Campos do Jordão (SP) e tantas outras que conseguiram reduzir substancialmente o número de mortos no trânsito. Esta última cidade citada chega a propagar em seu programa que não possui e nem precisa de semáforos, mas lembra a todos os usuários que a sua Secretaria de Trânsito bem como seus agentes não tiram férias. Em seguida, questionei se não poderíamos, por meio de um estudo que foi realizado nelas, adequá-lo à nossa realidade e idealizarmos um programa para Juiz de Fora. Sugestão prontamente aceita com ressalvas, trocamos endereços eletrônicos e acertamos de trazer as soluções das cidades que conseguiram seus objetivos. O que nunca foi feito, apesar de ter enviado sucessivos e-mails em vão.

Procurei o vereador Rodrigo Mattos. Deixei meu telefone com a sua secretária e o assunto. Passaram-se cinco meses. Com esta carta, espero poder contribuir com as questões preocupantes que envolvem nosso trânsito e, sobretudo, sensibilizar nosso gestor, o Sr. prefeito Custódio Mattos. Ele poderia nos brindar como grande marco de sua administração não só a humanização do trânsito da cidade de Juiz de Fora, mas sobretudo a manutenção de muitas vidas que são brutalmente perdidas.

No trânsito somos todos pedestres!