O gigante acordou


Por MARIA CLARA MOREIRA FORT Estudante

19/06/2013 às 07h00

Sempre me perguntei se a elite não percebia que faltava só a gota d’água antes de ela cair e formar grandes revoltas ou revoluções. Será que Luís XVI e Maria Antonieta não notaram que o terceiro estado não suportava manter sozinho os privilégios feudais da nobreza e do clero? Ou o Czar, antes da Revolução Russa, que ela era necessária e inevitável? Collor, quando deitava em seu travesseiro, passava pela sua cabeça o impeachment que batia à porta? Provavelmente, não.

Para os brasileiros, só faltava essa gota d’água, e muita gente não percebeu que ela estava por cair. É inacreditável o sangue de barata que tivemos por aguentar esse cenário desde 2008, quando eclodiu o mensalão. Logo o povo das Diretas Já, os caras-pintadas, a geração Coca-Cola de Renato Russo.

A revolta do vinagre, dos R$ 0,20, de 2013, ou como queiram chamar, não começou hoje e muito menos só pelo aumento da passagem ou repressão policial no início do movimento. Ela vem de longos erros consecutivos cometidos contra os direitos da população: Marcos Valério, Feliciano, falta de educação, saúde e transporte público de qualidade, gastos com Copa e Olimpíadas e desvalorização dos trabalhadores em todas as áreas.

Depois que o gigante acordou, começamos a ver que tudo está errado, e a única coisa que salva é a garra e disposição de mudança do seu povo. Esse outono virou primavera e vai dar frutos, pois somos centenas de milhares e, ao mesmo tempo, somos um. A frase eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor… pela primeira vez fez sentido, ao ser cantada por um coro de seis mil pessoas na cidade de Juiz de Fora e em outras do país.

Sentados numa importante via da cidade, em horário de pico, segunda-feira, os manifestantes foram gritando as notícias para os demais: eram mais de cinco mil reunidos ali; no Rio de Janeiro eram cem mil, e, em São Paulo, 65 mil. O Congresso? Era nosso de novo! O gigante pode ter dormido por 29 anos, mas está acordado e vai dar trabalho por um bom tempo. Agora, com os holofotes do mundo voltados para cá, é o momento mais propício que temos para gritar: o povo acordou, o povo decidiu: ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil!.