Eleições e verdade
Restando poucos dias para o confronto eleitoral, transitar na Rua Halfeld tornou-se uma atividade de risco, uma vez que a multiplicidade de opiniões abalizadas, historiadores, peritos em pesquisas e outros animais políticos, lato sensu, levam-nos a gastar, nessa saudável travessia, o triplo do tempo que se gastaria em tempos normais.
Da revogação da lei da gravidade às garantidas emendas ou correções da Lei de Murphy, tudo é prometido. Inclusive a derrota dos moinhos de vento é prometida, sem qualquer pudor, àqueles, dentre os quais humildemente me incluo, que, no próximo domingo, serão obrigados a votar, sob pena de inúmeros castigos criados em um sistema que permanece o mesmo desde o nascimento. O mundo mudou, os tempos são outros, os políticos são os mesmos, e as opções, quase nenhuma.
É mais simples votar no cargo majoritário, pela facilidade da caracterização dos candidatos, mas o que fazer com os apoiadores, correligionários, cabos e oficiais eleitorais que, depois de domingo, cobrarão sua cota de sacrifício à custa de nosso desencanto civil?
Como a Tribuna publicou, temos candidato supostamente bem-preparado legislando em assunto federal. O que fazer com os despreparados, cujas rimas de campanha são tão pobres, ou mais, do que o desempenho futuro?
Existem três verdades, também no período eleitoral: a verdade do candidato, a verdade do eleitor e a verdade verdadeira.
A verdade do político é que, por mais que se exista um ideal, esse se dilui, após computados os votos, em acertos, compadrios, nepotismos diversos e outras negociatas que formarão o famoso arco de poder, alimentando o círculo viciado em não cumprir, se eleito, promessas de campanha com alegações das mais diversas, que, nas outras eleições, serão repetidas pelo mesmo, por outro ou por outra.
A verdade do eleitor é que esse não se preocupa em verificar, de fato, a quem está dando o seu voto de confiança. Amizade, parentesco, vizinhança, interesses não declarados ou, simplesmente, ignorância ou desconsideração para consigo mesmo e para com o próximo. A maioria dos eleitores desconhece a força que tem enquanto cidadão e, uma vez consumado o destino, vê eleito qualquer um, tratando de se aproximar e de se submeter à arrogância de quem, por questões legais e morais, estará a seu serviço.
A verdade verdadeira é que a sociedade organizada, com raras exceções, deixa correr livremente os desmandos, a falta de decoro e de ética daqueles que deveriam cuidar melhor dos destinos de todos, e não apenas dos seus.
Existem bons candidatos como existe, às pencas, o contrário. Para nós, que escolhemos, cabe ouvir e ler com atenção o que dizem, ver o que fazem e o que farão. E, em não se cumprindo o prometido, tomar as decisões que um povo que se pretende esclarecido deve tomar.
Fofocas, futricas, disse me disse e outras firulas são armas de quem não tem assunto ou ideia do que fará no futuro. Não custa insistir: vamos nos respeitar mais um pouco, posto que alguns não o fazem.









