Talentos que JF exporta


Por ISMAIR ZAGHETTO, ESCRITOR

15/07/2012 às 07h00

Dois recentes eventos jornalísticos e literários dão o tom de uma Juiz de Fora de cujo tamanho cultural muita gente não fazia ideia. Mais que revelador, é saudável saber que estamos em latitudes que honram o passado que tantos talentos pioneiros construíram.

Chega a ser impactante constatar que o pouco que sabemos da cidade está a uma trágica distância do muito que ela é e tem. O Anuário nômade, editado pela jornalista Aline Bastos, e Contos urbanos, oportuna passarela literária com que a Tribuna celebrou os 162 anos de emancipação política do município, revelam coisas que contribuem para mudar conceitos e referências.

No primeiro caso, encontramos, na temática Talentos que Juiz de Fora exporta, um punhado de conterrâneos cujos atributos profissionais contam lá fora uma história que de fato engrandece uma exemplar imagem nacional da qual a cidade merecidamente sempre desfrutou. Nas entrevistas com pessoas, tão de casa como nós mesmos, por exemplo, a certeza de que novelas que emocionam o país e fazem sucesso no exterior levam assinaturas definitivamente juiz-foranas, que projetos arquitetônicos e mobiliários ganhadores de prêmios internacionais têm essa mesma fonte, tão cara para todos nós.

Não é menor nosso orgulho quando constatamos que temos títulos esportivos dos quais jamais suspeitávamos, pelas dimensões e singularidades, da mesma forma que não é maior o grau de conhecimento dos patamares atingidos nos círculos econômicos nacionais em inesperadas cadeias produtivas.

Os Contos urbanos, por sua vez, mostram-nos que a prosa e o conto são também ferramentas manejadas com rara habilidade por personalidades referenciais de qualidade em outros caminhos da produção artística. Ou melhor: nós os conhecemos bem mais pelo que produzem, por exemplo, no cinema, no rádio, no teatro e na televisão.

Juiz de Fora alcançou, por conta de sua incrível produção literária do século XX, uma legenda estética não encontrada com tanta elegância e fartura em centros urbanos não capitais, e a série publicada pelo jornal comprova que vivemos um presente que não desmerece o renome de um Murilo Mendes, Cleonice Rainho, Machado Sobrinho, Lindolfo Gomes, Dilermando Cruz, Estevão de Oliveira, Edmundo Lys e tantos outros.

A Tribuna prestou relevante serviço à cultura com essa iniciativa – ela, por sinal, que já nos proporciona diariamente generoso espaço de informação e reflexão. Estamos todos nós, juiz-foranos, de parabéns. Basta contar as 162 velinhas e soprar.