Assis e o diálogo inter-religioso


Por EQUIPE IGREJA EM MARCHA

29/10/2011 às 08h00

Com o propósito de realizar uma peregrinação pela verdade e pela paz, o Papa Bento XVI e diversos outros líderes religiosos de todo o mundo estiveram reunidos em Assis, na Itália, na última quinta e sexta-feira, 27 e 28 de outubro. Uma data e um encontro históricos. Há 25 anos, foi realizada a primeira Jornada de Oração pela Paz, convocada pelo Papa João Paulo II, para uma oração comum pela paz em um período histórico marcado pela Guerra Fria. Em entrevista especial ao Instituto Unisinos, o teólogo juiz-forano Faustino Teixeira manifestou sua opinião: A iniciativa de João Paulo II deixou importantes rastros no âmbito do diálogo inter-religioso, sobretudo um ‘espírito’ novidadeiro de respeito e abertura aos outros. Por isso, superou as críticas – inclusive as do atual Papa, naquela época cardeal e presidente da Congregação para a Doutrina da fé – e recebeu uma nova edição, em 2002, após os atentados do 11 de setembro.

Vários religiosos manifestaram-se sobre o encontro em Assis, e, na visão da maioria, o momento de oração revela que cristãos e não cristãos são chamados a viver sua fé em um mundo pluralista e na convivência com outras formas de expressá-la. Essa convivência não põe em risco nossa identidade, mas, ao contrário, enriquece nossa espiritualidade. O religioso Marcelo Barros disse, em artigo publicado no site da Adital (www.adital.org.br), embora limitado pelas conveniências diplomáticas do poder religioso e ainda tentado pelo medo de ousar mais em nome da fé, esse gesto do Papa antecipa a possibilidade de que as tradições espirituais do mundo se unam para trabalhar efetivamente pela paz e pela justiça.

Orar pela paz e pela justiça pode levar os religiosos a ajudarem a humanidade a compreender que, para vencer as violências, as guerras e as injustiças, precisamos organizar o mundo de outro modo e a partir de outros critérios que não sejam o lucro e a competitividade, diz Marcelo. Mas ele mesmo lembra que o ecumenismo e o diálogo entre as religiões dificilmente avançarão a partir apenas de encontros de cúpula, sem participação direta das bases. Também devemos reconhecer: esta forma de encontro proposto pelo Papa ainda é muito tímida: os/as representantes das diversas religiões se reúnem no mesmo lugar (a basílica de São Francisco) para orar, mas oram separadamente. Entretanto, seja como for, o gesto do Papa em convocar esse encontro e coordenar essa jornada inter-religiosa pela paz e pela justiça é sim uma profecia para as Igrejas e para o mundo atual. Oremos para que este encontro não se concretize em mais um gesto simbólico.