Não matarás (II)


Por IRIÊ SALOMÃO DE CAMPOS Comunidade Espírita A Casa do Caminho

04/05/2013 às 07h00

Um jovem estudante foi assassinado por outro, igualmente jovem, diante de sua casa. O motivo não importa. Ele morreu ali, feito lixo jogado à calçada. O motivo? Um queria o celular do outro. Outros três motoristas de táxi foram também mortos por um professor que dedicava parte do dia a ensinar computação para crianças e, à noite, matava para completar o orçamento e pagar o aluguel, sempre atrasado. Os homens são assim, violentos.

Certa vez, ouvi um pai dizendo ao filho, ainda pequeno: quando você pedir alguma coisa a alguém e não lhe der, não pense duas vezes, tome. O ser humano é assim, egoísta. E este sentimento que se alastra feito erva daninha consome as pessoas naqueles que seriam seus mais belos momentos desta vida. Jogam sua juventude pelo ralo da insanidade no simples desejo de sentirem uma e outra satisfação passageira.

As crianças crescem assim, com seu caráter deformado ou mesmo ausente, e se tornam cidadãos, motores de uma sociedade donde brotam decisões íntimas e posturas públicas. Fazendo do mundo um lugar estranho. Como disse um pensador em tempos passados: a história da humanidade é uma autobiografia de um louco.

Pode parecer exagero de nossa parte, aqui e agora, uma reflexão exposta de maneira tão crua e rascante. O que nos motiva em particular a isso é a recente ação sorrateira do Conselho Federal de Medicina, em aprovar, sem consultar seus membros de maneira ampla, a decisão de permitir o aborto por vontade própria da gestante. O que significa permitir o assassinato de uma criança. De agora em diante, pode-se matar uma criança por qualquer razão, para completar o orçamento ou simplesmente porque assim é o desejo.

Muitas justificativas que ouvimos a favor do aborto assassino foram utilizadas também nas câmaras de tortura da Inquisição e nos hospitais nazistas. As vítimas, crianças, sempre apontadas como portadoras de alguma impureza.

Não matarás é o quinto mandamento. A doutrina espírita trata claramente esta questão. Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida de uma criança antes do seu nascimento, porque isso impede uma alma de passar pelas provas que serviriam de instrumento ao corpo que estava se formando.

O primeiro de todos os direitos naturais é o direito de viver. Por isso, ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer nada que possa comprometer a existência corporal. Nosso país é mundialmente reconhecido como a maior nação cristã do mundo. Cristãos, unamo-nos em posicionamentos claros e diretos contra as ações deste feitio que afrontam e violentam os ensinamentos de amor vivenciados por Jesus.