Chega de tanta sigla
Tudo indica que, passadas as eleições deste ano, vamos assistir a um rearranjo do já confuso quadro partidário brasileiro. Não mais pelos cantos, mas agora abertamente, se fala na fusão do PMDB com outras seis legendas que congregam diferentes interesses. Ninguém ousaria dizer que são legendas que atuam em diferentes campos ideológicos, já que isto, entre nós, não existe. Postura ideológica é coisa que não se exige nem mesmo dos políticos, que dirá dos partidos. Os peemedebistas, podem apostar, estão apenas puxando a fila, pensando em 2014. O agrupamento que está negociando provocará outros, em maior ou menor escala. Como temos uma legislação que define prazos para mudanças partidárias, 2013 será o ano destes saltos para que tudo esteja devidamente preparado para a eleição do ano seguinte. É assim a luta pelo poder.
Se algumas legendas se vão, riscadas do mapa político por fusão ou inanição, no entanto, outras ameaçam surgir. Nas últimas semanas, foram anunciadas pelo menos duas articulações. Uma para criar o Partido Pirata, de origem sueca e com filiais em outros países europeus, e outra para ressuscitar a velha Arena dos nossos anos de chumbo.
Os piratas, pelo menos no início, devem fazer sucesso. O partido se propõe a defender o compartilhamento do conhecimento e o fim do que chamam de monopólio do direito autoral. Ou seja, nada é de ninguém, tudo é de todos. Como no Brasil tudo é pirateado mesmo, a legenda, que começa a buscar agora as milhares de assinaturas necessárias ao seu registro, deve reunir especialmente jovens, e não se assustem se, já em 2014, conseguir eleger representantes nos legislativos.
Já a outra proposta é de implementação um pouco mais complicada. A ideia de ressuscitar a Arena, dentro de seu pensamento original, é da gaúcha Cibele Baginsk, de apenas 22 anos, que já ganhou espaço até no site da Veja, para garantir que há, sim, espaço para uma legenda de direita no Brasil e que já recebeu várias manifestações de apoio à sua ideia(inclusive de um general).
Cibele tem razão, há espaço para um partido de direita no Brasil. O que falta é coragem dos políticos em se assumirem como tal. No país, a direita, desde o período da escravatura, passando, óbvio, pelo Golpe de 1964, esteve ligada à repressão, ao totalitarismo. Acabou estigmatizada, e mesmo figuras com o perfil de ultradireita, como o quase folclórico Jair Bolsonaro, renegam a direita para se colocar ao centro.
Centro, diz o cientista político Malco Camargo, da PUC-BH, é a posição do Brasil. Nada de centro-esquerda. Somos um povo conservador, que cobra avanços, mas tem posturas bem conservadoras em temas importantes socialmente. O PT percebeu isto e se bandeou para o centro, como forma de chegar ao poder. E de se manter lá. De qualquer forma, o simples ressurgimento de uma proposta de criação de um partido de direita, ou conservador, deve ser recebida com respeito. Quem sabe, surgindo um de direita, surge um de esquerda e um de centro realmente? E quem sabe a política recupera seu espaço perdido para a economia na definição dos rumos do país?










