Pichação e arte


Por RICARDO BARCELLOS Artista plástico

13/01/2013 às 07h00

Em rápida caminhada pelas ruas de Juiz de Fora, podemos observar, com tristeza e preocupação, que inúmeros patrimônios vêm sendo, de forma crescente, pichados, o que, lamentavelmente, deixa o visual da cidade com aspecto sujo e aparência maculada. Esta mesma situação também pode ser vista nos grandes centros, como Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais, onde não há limites para os pichadores e nem controle das autoridades. Ao que parece, Juiz de Fora está seguindo a mesma linha.

Sabemos que pichação é crime: a pessoa que picha ou grafita qualquer edificação urbana comete crime ambiental, com pena de detenção que pode variar de três meses a um ano, além de multa. E se o ato for praticado em monumento ou obra tombada, devido ao seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena de detenção é mais pesada e pode variar de seis meses a um ano, além do pagamento de multa.

Os reflexos negativos destas condutas são percebidos tanto pelo ponto de vista ambiental como pelo ponto de vista patrimonial. Contudo, o que mais choca não é somente o desrespeito pelo patrimônio alheio ou a poluição visual, mas também que tais condutas, longe de divulgarem mensagens de protesto, através destas pichações, mais se assemelham a atos de vandalismo gratuito contra o ordenamento urbano das cidades ou, então, danos egoísticos à propriedade alheia.

Portanto, já que a poluição visual decorrente das diversas inscrições, símbolos e desenhos, na grande maioria das vezes, sequer é decifrada pela população e não vislumbra qualquer fundamento ou motivo para a maioria destas manifestações, proponho que pichadores direcionem novos olhares para este cenário, solicitem a permissão de proprietários para o uso destes espaços e, à vista das artes plásticas, possam transformar esses traços em bonitas expressões artísticas.

No lugar de pichações, por que não se expressar com pinturas artísticas, poesias, poemas, esculturas, mosaicos? Eles podem expressar, não em códigos, mas dando um colorido novo para nossos espaços e mostrando, assim, boas ideias para as demais capitais, fazendo de Juiz de Fora um exemplo a ser seguido por outras cidades, com arte por toda parte.

Os próprios pichadores poderão, com isso, descobrir talentos que estão guardados dentro de si, esperando que se aflorem de uma maneira positiva, e não de uma forma pejorativa. Com isso, a cidade ficará mais harmoniosa, mais bonita e mais alegre. A população poderá contemplar essas artes, tornando seus dias mais tranquilos, trazendo paz, esperança e otimismo para todos que vivem aqui e também para os visitantes, fazendo de Juiz de Fora uma galeria de artes a céu aberto. Ficam registrados a proposta e o desafio!