BR-040: teste de sobrevivência


Por LEONARDO FERNANDES

10/06/2012 às 07h00

Na segunda-feira (28), pela manhã, mais um cidadão foi vítima da situação precária por que passa a rodovia BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, em Minas Gerais. A morte do motorista de um veículo de passeio foi ocasionada pela batida frontal em caminhão carregado com minério, na altura do km 566, na divisa dos municípios de Nova Lima e Itabirito, na Grande BH.

O acidente evidencia que trafegar pela 040 entre a capital mineira e os municípios da região central do estado, como Congonhas e Conselheiro Lafaiete, tornou-se, há tempos, um verdadeiro teste de sobrevivência. A péssima qualidade do asfalto e a ausência de acostamento, canteiro central e iluminação em diversos pontos da estrada federal representam um perigo aos motoristas. O tráfego intenso de caminhões contendo minério, que rodam a mais de 100 km/h, coloca em risco a segurança de quem transita pelo trecho, além de dispersarem pó de minério, encobrindo placas e marcações na pista.

O traçado da rodovia por perímetros urbanos, como em Santos Dumont, na Zona da Mata, onde há vários viadutos em curva, também integra os itens de periculosidade da 040, assim como os trevos de acesso aos municípios às suas margens, a exemplo de Moeda, a pouco mais de 30 km de Belo Horizonte, em que a falta de trincheira ou viaduto contribui para a ocorrência frequente de acidentes.

O que mais nos assusta é que o edital do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), publicado em 30 de abril, prevê apenas obras de restauração da BR, não contemplando sua duplicação nem sequer a construção de acessos seguros às localidades às suas margens, como noticiado pela Tribuna em 1º de maio, em matéria intitulada Sai edital para BR-040 entre BH e Ressaquinha.

Ligação importante a centros como Rio de Janeiro, Juiz de Fora e cidades históricas de Minas, a rodovia está abandonada, vitimando cidadãos diariamente.

Como um país que irá sediar a Copa do Mundo Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016 pode oferecer a seus habitantes estradas nessas condições? Será que as autoridades envolvidas têm consciência do fluxo de pessoas que transitará pela referida rodovia, haja vista que BH e Rio serão cidades-sedes dos jogos? Será que somente uma representação junto ao Ministério Público resolverá essa questão?