Em defesa da memória


Por JORGE SANGLARD

25/09/2011 às 07h00

Ao celebrar três décadas de atividade jornalística, a Tribuna confirma sua inserção no cotidiano de Juiz de Fora como agente de reflexão e de informação, mas é essencial reafirmar o papel fundamental que o jornal desempenhou ao longo desses anos como caixa de ressonância dos anseios de amplos setores da sociedade, principalmente dando voz e vez à cultura e à defesa do patrimônio artístico e histórico.

De perto, vivenciei os primeiros passos do jornal e testemunhei a importância do Caderno Dois na cobertura diária de lutas culturais que proporcionaram grandes conquistas para a cidade. As páginas da Tribuna denunciaram, no início dos anos 80, o estado de abandono em que se encontravam as instalações do Cine-Theatro Central e a indignação da comunidade ao tomar conhecimento da precariedade das instalações elétricas e o risco que o imóvel corria. A partir daí, a campanha Central, a emoção de todos nós alavancou a luta pela aquisição e restauração de um dos teatros mais importantes de Minas.

Também a luta pela recuperação do prédio da velha fábrica têxtil Bernardo Mascarenhas, símbolo do pioneirismo industrial de Juiz de Fora, e sua transformação em uma fábrica de arte e cultura ganhou destaque nas páginas do jornal. Das primeiras discussões à passeata que mobilizou artistas, escritores, jornalistas, até a inauguração do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, a Tribuna cobriu cada momento e repercutiu os anseios dos setores culturais na consolidação do novo e dinâmico espaço cultural conquistado.

A campanha Sou Amigo do Museu Mariano Procópio, que foi abraçada pelos juiz-foranos e possibilitou a criação da Associação Cultural de Apoio ao primeiro museu de Minas, teve ampla cobertura no jornal e colaborou para articular a ajuda na recuperação do acervo e das instalações da instituição.

Foi decisiva a denúncia da Tribuna ao revelar o estado de abandono e degradação de dois marcos do modernismo a céu aberto em Juiz de Fora, em Minas e no Brasil: o painel As quatro estações, de Candido Portinari, na fachada do Edifício Clube Juiz de Fora, e o Marco do Centenário de JF, projetado por Arthur Arcuri para comemorar os 100 anos da cidade, trazendo o primeiro mosaico modernista em pastilha de vidro – criado por Di Cavalcanti – instalado em praça pública no país.

Por tudo isso e muito mais, a Tribuna completa 30 anos ao lado das artes e na defesa da memória de Juiz de Fora.