Necessidade de engajamento
Sabemos que as pacíficas manifestações públicas em prol de justas causas expressam um direito e até um dever do povo. Entretanto, não basta protestar por protestar. Nas ondas de protesto nas ruas, encontramos também a tentativa de desvalorizarmos a política, e esta desvalorização é um erro grave. Recentemente, o Papa Francisco refletiu e perguntou assim: Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão. Nós, cristãos, não podemos ‘fazer como Pilatos’, isto é, lavar as mãos. Não podemos! Devemos envolver-nos na política, pois a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja, mas eu pergunto: está suja por quê? Não será porque os cristãos se envolveram na política sem espírito evangélico? É a pergunta que eu faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros, mas eu o que faço? Isto é um dever! Trabalhar para o bem comum é um dever do cristão! (Papa Francisco: discurso em 7/06/2013).
No último dia 20, foi assim: enquanto muitos corriam para dizer que a baderna e o vandalismo não representam as manifestações do povo, o país estava sendo depredado em várias cidades. Há algo errado aí, porque soluções sólidas para os problemas do país não aparecem com quebradeiras e nem com exageradas exaltações e agitações, mas apenas com engajamentos políticos e propostas racionais. Para além das agitações e exaltações emocionais, devemos cuidar do problema da ausência de participação política, e isso com o objetivo de aprofundar um debate mais abrangente sobre as questões sociais e políticas da nação.
Uma hora, a gritaria, ainda que justificada, irá passar, mas, se as ideias inteligentes e as propostas bem pensadas não forem semeadas, tudo voltará à estaca zero. É preciso aprofundar os discursos, e não simplesmente pintar o rosto e sair batendo a panela. O país precisa de soluções, e soluções passam por entendimentos, estudos, debates e engajamento político. As soluções também passam por questionamentos e queixas, mas, sem engajamento político, o país ficará parado diante da ilusória ideia de que as soluções nascerão de um simples apito.
É verdade que os apitos falam dos legítimos anseios e insatisfações, mas não podem parar por aí e nem caminhar para o tumulto. Os apitos devem anunciar uma vontade mais profunda de participação e de colaboração.











