Os cristãos na Síria
Os meios de comunicação nos informam, quase diariamente, sobre bombardeios, lutas, destruições, mortes e refugiados na Síria, país de onde vieram muitos migrantes para o Brasil. Pouco sabemos da atitude dos cristãos nesta situação dramática. O patriarca da Igreja grega melquita católica na Síria, Gregorios III Laham, no encerramento da reunião dos bispos católicos, realizada em 26 de julho passado, fez uma declaração que esclarece a posição da Igreja frente aos acontecimentos trágicos vividos.
O patriarca afirma que o maior perigo na Síria, hoje, é a anarquia, a falta de segurança e a irrupção de armas de todos os lados. O perigo atinge todos os cidadãos, sem diferença de raça, religião ou coloração política. Os cristãos, porque são minoria e desunidos, estão mais expostos a esse perigo: eles são a parte mais fraca, sem defesa, mais exposta à exploração, à extorsão, aos sevícias e mesmo à eliminação. Em contrapartida, eles são também a parte pacificadora, sem armas, a que chama ao diálogo, à reconciliação, à paz e à unidade dos filhos e filhas da pátria. Aos cristãos foi confiado o Evangelho da Paz. Eles se sentem chamados a promovê-la, apesar de todos os riscos que correm.
Os cristãos não estão visados enquanto cristãos, pois são vítimas do caos e da falta de segurança que atinge a todos; não existe conflito islamo-cristão. Em nenhuma das declarações dos chefes das Igrejas Cristãs aparece alusão à perseguição dos cristãos. Todas elas se caracterizam pela moderação, pelo chamado à reforma, à liberdade, à democracia, assim como a luta contra a corrupção, o apoio ao desenvolvimento, a liberdade da palavra e a promoção do diálogo. O conteúdo das mensagens é sempre positivo e pacífico, chamando ao amor e à recusa de recorrer às armas.
Essas posições e observações da hierarquia das Igrejas cristãs da Síria emanam da sua fé cristã, de suas convicções patrióticas, assim como do seu conhecimento da história, da herança cultural de convivência, abertura e respeito mútuo das diferenças religiosas e políticas. Elas acreditam que, apesar do sangue derramado, dos ódios, sentimentos de inimizade e rancor, os Sírios são capazes de resolver essa perigosa crise sem ingerência externa que é nociva à unidade.
Gregorios III Laham termina sua mensagem com um apelo, enquanto cristão, dirigido ao mundo árabe: apelo à Unidade. Só haverá Paz na Unidade. A salvação dos cristãos só será assegurada na unidade, criando condições favoráveis à convivência, ao diálogo islamo-cristão e islamo-islâmico. As crises e as guerras são a causa do êxodo dos cristãos (quase cem mil fugiram de Homs ultimamente) e da degradação das relações islamo-cristãs. O patriarca espera que a visita do Papa ao Líbano, em setembro próximo, seja um apoio aos cristãos da Síria, que se sentem abandonados, esquecidos e conclui com pedido de ajuda para os refugiados e, sobretudo, de oração. É o que podemos fazer a favor dos nossos irmãos da Síria.










