Trabalhadores cristãos


Por EQUIPE IGREJA EM MARCHA - LEIGOS CATÓLICOS

24/11/2012 às 07h00

Em 1962, iniciava-se o concílio Vaticano II, que deu grande impulso ao laicato. Tanto antes, no processo de sua convocação, como durante e depois, o movimento de Ação Católica muito contribuiu para isto. No mesmo ano, nasceu no Brasil o movimento da Ação Católica Operária – ACO, hoje chamado Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC.

O MTC se fundamenta na fidelidade a Jesus Cristo e à classe trabalhadora. É um movimento evangelizador: pelo testemunho de vida cristã de seus militantes – através dos engajamentos na família e na sociedade, da participação nas organizações existentes como sindicatos, associações de moradores, conselhos municipais, partidos políticos, etc. -, o movimento revela os valores de esperança, de fraternidade, de justiça e paz anunciados por Jesus. No plano da Igreja, o MTC é filiado ao Conselho Nacional do Laicato – CNL, ligado a CNBB.

O MTC nasceu da Ação Católica especializada, oficializada pelo papa Pio XI na encíclica Quadragésimo anno, quando afirma: Os apóstolos dos operários serão os operários; os apóstolos dos comerciantes, os comerciantes; os apóstolos dos industriais, os industriais (1931). Esta forma de apostolado dos leigos, do meio pelo próprio meio, já existia nas bases. Iniciou com o movimento da Juventude Operária Católica – JOC, fundado pelo padre Joseph Cardin, pároco num bairro operário de Bruxelas, que reunia pequenas equipes de jovens operários e operárias para refletir sobre suas responsabilidades como cristãos na sua família, no trabalho, na moradia e para engajar-se nas organizações operárias a fim de anunciar a mensagem cristã, usando o método do ver-julgar-agir , hoje muito conhecido. A JOC espalhou-se rapidamente, na Europa e na América Latina – particularmente no Brasil -, e teve seu ponto culminante em 1957, no seu primeiro Congresso Mundial, que reuniu, em Roma, mais de 35 mil jovens trabalhadores.

Mais tarde, esses militantes, já adultos, querendo continuar sua reflexão em grupos, criaram equipes de ex-jocistas em muitas cidades. Delegados desses novos grupos decidiram reunir-se num só movimento: em São Paulo, no dia 4 de novembro de 1962, ficou oficialmente fundado o movimento nacional da Ação Católica Operária – ACO, com a participação de militantes do Norte, Centro e Sul do país. A partir daí, a ACO cresceu e se consolidou; resistiu à repressão pós-64, chegou a recolher-se a quase clandestinidade, onde alguns militantes foram presos e torturados, mas, mesmo enfraquecida, sobreviveu e evoluiu com a sociedade e a classe trabalhadora. Mantendo fidelidade ao seu carisma e método, optou chamar-se Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC, significando, assim, abertura a todos os trabalhadores e ao ecumenismo, acolhendo membros de outras igrejas cristãs. Filiado, no plano continental, ao Movimento Operário de Ação Católica – MOAC, e, no plano internacional, ao Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos – MMTC, o MTC participa da luta internacional dos trabalhadores para uma sociedade justa, livre, igualitária e fraterna.

Em Juiz de Fora, o movimento iniciou um pouco mais tarde, em 1965, igualmente a partir de ex-jocistas, e estendeu-se em vários bairros e por outras cidades da Arquidiocese. Hoje, reduzido, mas vivo e atuante, cheio de esperança, celebra na alegria, no domingo, 2 de dezembro, os 50 anos do seu movimento.