Cor-de-rosa, por que não?
A edição de novembro de 2011 da revista Planeta trouxe uma reportagem de Milton Correia Jr. chamada A lógica da cor, da qual transcrevemos o seguinte trecho: Em 1978, o psicólogo norte-americano Alexander G. Schauss conduziu experiências com determinado tom de rosa e seus efeitos no comportamento humano. Essa cor rosa, batizada de ‘Baker-miller pink’, segundo ele, possuía propriedades calmantes e diminuía o apetite. Em 1979, a Marinha dos Estados Unidos testou a cor em celas especiais do centro correcional em Seattle, chegando à conclusão de que os detentos ficavam mais calmos com apenas 15 minutos de exposição. Décadas depois, algumas penitenciárias adotaram a cela cor-de-rosa (…) A finalidade é tranquilizar prisioneiros agressivos. Mas o uso das celas também causa polêmica, pois, na opinião de alguns advogados, trancafiar presos em celas cor-de-rosa equivaleria a uma tortura psicológica. Quartos com essa cor especial também são usados em clínicas psiquiátricas com igual finalidade.
Como visto, o rosa especial tem sido utilizado apenas em algumas prisões e clínicas psiquiátricas, na certa, talvez só nesses locais por preconceito machista ou por espírito misoneísta; o primeiro, debitável àqueles que receiam que se duvide da sua masculinidade, e o segundo, aos que ainda não entenderam que a psicologia é realmente uma ciência e que, um dia, ultrapassará a própria medicina. Todos nós, operadores do direito, sabemos que o clima vigorante nos nossos ambientes de trabalho muitas vezes costuma raiar pelo destempero verbal e pelo descontrole emocional, quando não, por atitudes piores do que essas, gerando até processos contra os que não conseguem manter-se dentro dos limites da polidez, da gentileza e do debate sadio. Observa-se que nossos ambientes de trabalho apresentam-se com detalhes arquitetônicos os mais variados, os mais antigos, tendentes a sugestionar o respeito e o acatamento à Justiça, e os mais modernos, dominados pela preocupação com o custo das construções. No nosso país, não se atinou para a importância das experiências relatadas na reportagem, que não representam meras aventuras de sonhadores ou desocupados, mas sim, investimentos sérios e embasados em critérios científicos. Nossos fóruns, salas de audiência, salões do júri, delegacias de polícia e secretarias do Juízo poderiam e deveriam ser pintados com a referida cor, tão bem-sucedida. Os machistas e os misoneístas que tratem de se modernizar.










