Artigo do dia – 30-08-2013
Corria o ano de 1973, e a economia mundial viu-se diante de uma crise ante o ultimato das nações produtoras de petróleo, reunidas na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), exigindo um reajuste monumental nos preços do produto. Em momentos assim, aglutinam-se forças e ideias para o enfrentamento das dificuldades surgidas. Nações e empresas buscam alternativas e superam os problemas.
Abrahão Koogan, empresário do ramo editorial, à época diretor-presidente da Editora Delta S.A., que publicava a Enciclopédia Delta-Larousse, precavido e desejoso de defender sua empresa das turbulências anunciadas, reuniu todo o seu staff de vendas e expôs com clareza toda a conjuntura. Foi direto ao assunto. Teria que aumentar o preço de seus produtos em cerca de 40% e, ao mesmo tempo, diminuir o prazo de pagamento das mensalidades, que, de 24 parcelas passariam para 16.
Praticamente, as medidas, inevitáveis, causariam um impacto de cerca de 100% no valor das prestações. Com humildade, se disse necessitado do apoio e orientação de sua equipe. Como as vendas despencariam com toda a certeza, apresentou sua proposta de garantir durante um semestre um salário calculado na média dos ganhos mensais dos presentes à reunião. Com o passar do tempo, as coisas se acalmariam, e as vendas seriam recuperadas. Claro que a garantia era oferecida aos diretores, gerentes e supervisores, pois era impossível estendê-la aos milhares de vendedores espalhados Brasil afora. Estes sairiam em debandada em busca das facilidades dos concorrentes, que manteriam os mesmos preços e prazos de pagamento.
Terminada sua exposição, recebeu a solidariedade de todos. Ou, melhor, quase todos. Um dos diretores de vendas pede a palavra e, quem sabe, tentando valorizar mais ainda a empreitada, confessa com aquele jeitão espantado dos pessimistas e incompetentes:
– Confesso, senhor Koogan, que me encontro num beco sem saída e não sei onde iremos chegar.
Dia seguinte, o dito cidadão recebeu um documento que os trabalhadores apelidaram jocosamente de bilhete azul (demissão), com a explicação de que a empresa buscava, justamente, aquilo que ele confessara não possuir: capacidade para encontrar a saída do beco.
Corre o ano de 2013, e a economia mundial encara mais uma crise. Os procedimentos são os mesmos daqueles de quatro décadas passadas. Menos aqui no nosso Brasil. Ministros confessam sua incompetência em encontrar saídas do beco e são prestigiados pelos que também não têm capacidade para tal.
Que saudades do ex-patrão Abrahão Koogan…











