Judiciário: caixa preta
Somente as pessoas comuns que trabalham na iniciativa privada e aquelas que trabalham no serviço público, sem privilégios, são consideradas aptas a serem investigadas pelos órgãos de segurança do nosso país. Por outro lado, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, considerada a suprema corte do Brasil, entende que os juízes que atuam no judiciário são especiais, ou seja, por vestirem a toga, estão acima de qualquer suspeita porque o cargo e a vestimenta lhes outorgam a honestidade e a honradez. Eles, os juízes do judiciário, estão acima de nós, cidadãos brasileiros que bancamos os seus salários?
O fato é que o Conselho Nacional de Justiça vinha desenvolvendo um trabalho de investigação baseado na movimentação financeira dos que atuam no judiciário, visto que muitos apresentavam valores exorbitantes diante dos salários percebidos. Segundo o relatório do COAF – órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda – 3.426 magistrados e servidores do judiciário realizaram movimentações financeiras consideradas atípicas no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010. Desse total, 81,7% estão relacionados ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), ao Tribunal de Justiça da Bahia e ao Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. Ainda assim, de posse de tantas informações, o STF considerou o CNJ como um órgão inapto para desenvolver trabalhos de suspeição junto a esse poder, com base no recurso da Associação dos Magistrados Brasileiros.
Cada vez mais, vimo-nos abandonados e desprezados por aqueles que ocupam cargos públicos nas três esferas do poder: Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada qual procura manter seus privilégios à custa dos altos impostos recolhidos junto aos assalariados, aos profissionais liberais e ao empresariado, como se estivessem acima de tudo e de todos.
A decisão do STF revela a arrogância da AMB. A obrigação moral do magistrado é de dar exemplo de transparência e de honradez, para que possa aplicar as leis de forma justa e equilibrada. Como sermos julgados por aqueles que se recusam a ser investigados de maneira transparente pelo CNJ? Para que tanta revolta contra esse órgão colegiado? E a democracia? Para a maioria, sim, e para a minoria, a caixa preta!
O recurso da AMB inibe a transparência e achaca a democracia. Quem procura interpor obstáculos em um processo investigativo não condiz com o processo democrático de um país. Cada homem de bem deste Brasil sustenta os três poderes da República e, como tal, cada um que se sustenta com o dinheiro público tem o dever de transparecer a realidade dos fatos! É por isso e por tantos outros fatos que norteiam o nosso país, é que cada vez mais se torna difícil considerar o Brasil uma nação séria.










