Os ‘irracionais’
Contemplamos, mais uma vez, nas artérias ou logradouros das cidades das mais diversas extensões, o drama patético dos pobres seres ou criaturas do Senhor chamados de irracionais por aqueles que se julgam assim tão racionais, mas, às vezes, nem tanto a ponto de engendrarem uma solução definitiva, satisfatória e prática que permita a solução devida dos diversos problemas inerentes ao assunto.
Referimo-nos aos animais sem donos, em geral cães ou gatos, que nascem de ascendentes igualmente sem donos, e que vão, pouco a pouco, infestando o cenário das cidades ao sabor da boa ou má sorte, da boa ou má vontade, do interesse ou desinteresse dos transeuntes e que, conforme as diversas circunstâncias, podem vir a ser objeto da bondade, mas também da maldade, ou mesmo crueldade deles.
Entretanto, não faltam boas almas que se apiedam e se enterneçam diante de tal semelhante situação. De boas almas advêm boas obras, sem dúvida; porém, no nosso plano físico – material -, nada, absolutamente nada, se faz sem recursos. (Recursos?… leia-se: dinheiro). Muitas vezes, quando sobram obreiros resolutos, faltam contribuintes no tocante ao capital exigido.
Em Juiz de Fora, deparamo-nos com uma instituição de origem já sexagenária denominada Sociedade Juiz-forense de Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente. Suas origens datam aí por volta de 1949, quando durou um quinquênio, tendo encerrado suas atividades em 1954 por falta de recursos. Reconstituída posteriormente, atuou por cerca de três décadas, até maio de 1986, quando funcionou em imóvel pertencente à Prefeitura. O convênio então firmado durou até fevereiro de 1989, quando a instituição já se tornava, então, quarentona. Foi no dia 27 de março de 1989 que a instituição pôde efetivar sua transferência para um terreno próprio, privativo, e que tinha sido doado por um associado. Segundo se informou, no mesmo dia da mudança, pesada intempérie se abateu sobre a região, com chuva excessiva que inundou o local e causou a destruição das recém-inauguradas instalações. Nos dias que se seguiram a tão tamanho transtorno, a associação recebeu doação de material de construção, alimentos, medicamentos, tendo sido construídos posteriormente quatro canis coletivos. Desde então, o apoio voluntário de diversas personalidades e entidades locais tem sido contínuo.
Um aspecto que não se pode deixar de se mencionar é o fato de que, além da alimentação, há que se promover contínua assistência quanto à manutenção da saúde dos animais internos, porquanto estes estarão sempre sujeitos a uma série quase interminável de afecções e moléstias. Pelo simples fato de serem mamíferos, guardam grande afinidade física para com seus protetores humanos e com a variedade das enfermidades de que aqueles estão também sujeitos, tais como verminose, sarna, pneumonia, tuberculose, câncer… e esta relação poder-se-ia estender quase indefinidamente. Tratamento e medicamentos custam dinheiro, e haja doações.











