Cardozo no país dos coitadinhos


Por SAGRADO LAMIR DAVID Escritor

23/11/2012 às 07h00

O ministro Cardozo tinha razão quando disse que preferiria a morte à cadeia insalubre e rasteira, mas vai preso assim mesmo! É claro que estou ironizando, de brincadeira; portanto, caro ministro Cardozo, não se preocupe – nem se mate -, pois nada existe que possa levá-lo, de fato, a essas cadeias que você, e todos nós, tanto abomina!

Mas penso: o que diria aquele miserável, ladrão de galinhas, que pode ser assassinado por roubar apenas uma galinácea para seu mísero sustento… O que ele pensa a respeito? Já houve casos de um desses milhares de miseráveis detidos – aponte-nos um rico, honesto ou não, que já foi pra cadeia -, falando em nome das multidões de habitantes dos presídios, dizer que se sente vitorioso por conquistar um lugar ao sol – pois tem horário para o rei solar -, além de comida, cama, roupa lavada, mesmo no meio de outros famintos. Será que prefere estar na miséria livre, patrocinada por uma sociedade omissa, liderada por políticos, empresários e governantes mais do que omissos, pois são irresponsáveis, portanto, corruptos?

Lembro-me, sensibilizado, de uma dessas detentas miseráveis, falando em nome de todos os presos, que foi presa, por pequeno e sobrevivencial roubo – e eles existem! – e que, ao ser libertada, implorou, chorosa, que desejava continuar presa, pois não queria ser assassinada nas ruas em que morava e nem morrer de fome!

De qualquer forma, valeu, ministro Cardozo! Apenas lhe garanto que o senhor – e eu -, e todos nós, nesse Brasil coitado, somos os únicos e maiores responsáveis por tudo isso! Mas que são eles, coitadinhos – que me fazem lembrar do livro de meu conterrâneo de Bicas, Emil Farhat, O país dos coitadinhos -, que continuam na mesma… À espera daquele futuro que, como consolação, sabemos que a Deus pertence…