Células-tronco e juízo moral


Por LUÍS EUGÊNIO SANÁBIO E SOUZA

01/03/2012 às 06h00- Atualizada 02/03/2018 às 13h42

A Igreja Católica, que está do lado da vida e por isso sempre apoiou a ciência médica (no Brasil, temos o exemplo do trabalho já plurissecular das Santas Casas), aprova e encoraja as recentes pesquisas científicas relacionadas às células-tronco adultas (também chamadas de células estaminais adultas). Portanto, a Santa Sé afirma que são para encorajar o impulso e o apoio à investigação que visa o emprego das células estaminais adultas, por não comportarem problemas éticos (Roma, Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Dignitas Personae n° 32).

A Igreja considera que, para a avaliação ética, há que se considerar tanto os métodos de extração das células-tronco como os riscos do seu uso clínico ou experimental. É sempre ilusório reivindicar a neutralidade moral da pesquisa científica e de suas aplicações. Além disso, os critérios de orientação não podem ser deduzidos, nem da simples eficácia técnica, nem da utilidade que possa derivar daí para uns em detrimento dos outros, muito menos das ideologias dominantes.

A Igreja afirma que a extração de células-tronco do embrião humano vivo é gravemente imoral e ilícita, porque provoca inevitavelmente a destruição do embrião, isto é, de uma vida humana. Além disso, é sempre imoral produzir embriões humanos destinados a serem explorados como material biológico disponível. A esse respeito, o Papa Bento XVI assim se expressou:

A pesquisa científica oferece uma oportunidade única para explorar as maravilhas do universo, a complexidade da natureza e a beleza peculiar do universo, inclusive a vida humana.

Todavia, visto que os seres humanos possuem uma alma imortal e são criados à imagem e semelhança de Deus, existem dimensões da existência humana que estão além do que as ciências naturais são capazes de determinar. Se esses limites forem excedidos, corre-se o sério risco de que a dignidade única e a inviolabilidade da vida humana possam ser sujeitas a considerações puramente utilitaristas. No entanto, se, pelo contrário, esses limites forem devidamente respeitados, a ciência pode dar uma contribuição notável para a promoção e para a proteção da dignidade do homem: com efeito, nisso consiste a sua utilidade autêntica.

O homem, agente da pesquisa científica, por vezes, na sua natureza biológica, será o objeto dessa investigação. Apesar de tudo, a sua dignidade transcendente dá-lhe o direito de permanecer sempre o beneficiário final da investigação científica e de nunca ser reduzido a seu instrumento. Nesse sentido, os benefícios potenciais da investigação sobre as células estaminais adultas são consideráveis, pois dá a possibilidade de curar doenças crônicas degenerativas reparando o tecido danificado e restabelecendo a sua capacidade de se regenerar. A melhoria que essas terapias prometem seria um significativo passo a frente na ciência médica, oferecendo uma nova esperança aos doentes e às suas famílias. Naturalmente, por essa razão, a Igreja encoraja aqueles que conduzem e apoiam pesquisas desse tipo, obviamente desde que sejam realizadas tendo em conta o bem integral da pessoa humana e o bem comum da sociedade (Discurso papal em 12 de novembro de 2011).