A falta de um líder
Para onde nos levam as novas manifestações, aqui e ali mais pontuais e já não tão difusas quanto as primeiras, as que mobilizaram milhões pelas ruas no junho incandescente que assuntou, mas, como esperado, não resultou, ainda, em nada prático. As novas manifestações já não são espontâneas como as primeiras e, diferentemente daquelas, têm caráter político e são controladas por partidos ou facções partidárias. A violência, ou vandalismo de junho, que se pode dizer de aproveitadores, agora é organizada, programada e obedece a uma lógica política.
Seus autores não são discípulos do russo Bakunin, inimigo de toda forma de organização e hierarquia, sem que isso, no entanto, significasse a instauração do caos. Os grupos que vão se formando defendem exatamente o caos, a violência, o atingir a sociedade e, especialmente, o capitalismo, para que ele ceda a mudanças. Mas para instalar o que no lugar?
A violência pode, sim, ser uma forma de transformação, por pior que ela seja, mas há que se ter um rumo, um objetivo a atingir. E, mais importante, alguém para conduzir este processo. E nós não temos lideranças que sejam para serem chamadas assim. Tancredo foi a grande esperança pós-ditadura. Morreu antes mesmo de assumir. Lula foi líder capaz de mobilizar as massas para pressionar por mudanças. Preferiu sucumbir diante dos grupos dominantes que tanto criticou, preservando, porém, o direito de fazer as mudanças através da maquiagem.
Não temos quem possa fazer as mudanças de profundidade. E receio que estejamos seguindo o caminho de culpar o machado pelo desmatamento, esquecendo-nos que o machado é manobrado pelo homem. E aí fica a dúvida. De que adiantará fazer mudanças pelas passeatas pacíficas, quase pachorrentas, de junho, ou pela violência das invasões aos parlamentos de hoje se vamos trocar os atores políticos? Uma reforma política, por melhor que seja, só se completa nas urnas. E temo que não estejamos preparados para esta conclusão.











