Produtos natalinos até 57,5% mais caros


Por Tribuna

06/12/2014 às 07h00

No grupo das carnes, cinco dos nove produtos pesquisados tiveram alta

No grupo das carnes, cinco dos nove produtos pesquisados tiveram alta

Mais da metade dos produtos mais consumidos no Natal ficaram mais caros este ano. A Tribuna comparou os preços médios de 66 itens, entre frutas, carnes, bebidas e enlatados, praticados em Juiz de Fora e identificou que em 38 deles houve alta, que chega a 57,5%. A análise tem por base as primeiras pesquisas “Disque Natal” divulgadas pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) em 2013 e 2014.

Dentre os cinco setores pesquisados, o de enlatados foi o que concentrou maior número de itens em alta, seis dos nove analisados. Em segundo lugar ficou “outros”, que inclui produtos como frutos (castanha, ameixa e nozes) e panetone, com 11 dos 17 itens mais caros. As carnes ficaram em terceiro lugar, com elevação de cinco dos nove itens pesquisados.

Na análise dos produtos, a ameixa preta seca sem caroço (200 gramas) apresentou a maior alta (57,5%), passando de R$ 3,30 em 2013 para R$ 5,20 este ano da marca mais barata. Em segundo lugar está a castanha portuguesa, que subiu 47,8%, de R$ 26,98 para R$ 39,90 o quilo da marca mais barata. A cereja em calda está na terceira posição, com elevação de 37,4%. Neste caso, o quilo da marca mais barata que custava R$ 31,10 no ano passado subiu para R$ 42,76 este ano.

Entre os 28 itens que apresentaram redução do preço, a maior queda foi verificada na amêndoa com casca (250 gramas da marca mais barata), cujo valor caiu de R$ 7,89 em 2013 para R$ 5,35 este ano (-32%). Em seguida estão as passas sem caroço (escuras), que custavam R$ 4,77 e caíram 27,4%, chegando a R$ 3,46 este ano. O valor considera 250 gramas da marca mais barata. O tender sem osso (quilo da marca mais barata) também entrou nesta lista. O preço caiu 25,7%, de R$ 30,82 para R$ 22,87 no período analisado.

Carnes em alta

As carnes, que já ocupam o terceiro lugar no ranking de altas entre os grupos mais consumidos nesta época do ano, continuam em alta. Segundo a coordenadora do Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes, os alimentos foram os principais responsáveis pela inflação de novembro, e o produto que mais contribuiu para a alta foram as carnes, que ficaram 3,46% mais caras no mês. “As carnes têm um peso forte no orçamento das famílias, em torno de 3%”, avalia. Entre os motivos da alta, Eulina cita a pressão provocada pela seca e pelas exportações. Conforme a coordenadora, a Rússia tem importado carne do país, e o mercado interno apresenta menor oferta, em função da estiagem que prejudicou a alimentação dos rebanhos.

Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, ficou em 0,51% em novembro. No acumulado, as taxas são de 5,58% no ano e de 6,56% nos últimos 12 meses. O IPCA permanece um pouco acima do teto da meta estipulada pelo Governo (6,5%), apesar das últimas duas altas consecutivas da Selic, a taxa básica de juros da economia, que vai fechar o ano em 11,75% no ano.