Painel 18-06-16

Por Paulo Cesar Magella

Modelo vencido

Ao participar ontem do Conexão Empresarial – evento promovido pela revista “Viver Brasil”, dirigida pelo jornalista Paulo Cesar de Oliveira – o ex-ministro do STF Carlos Veloso admitiu que o Supremo Tribunal Federal, do qual foi presidente, cometeu a tolice de rejeitar a adoção da cláusula de barreira no país. No seu mea-culpa, ele observou que o excesso de partidos tornou-se um problema, já que tais legendas impedem a implementação de medidas necessárias para o país. O ministro, no entanto, enumerou outros fatores que entende serem fundamentais para a mudança de rumos que se faz necessária. “Temos que fazer reformas, sendo algumas prioritárias, como o sistema de Governo. Rui Barbosa, um dos pais da pátria, já dizia que ele é a ditadura em estado crônico. Por isso, temos que migrar para outro modelo.”

 

Pelo distrital

Carlos Veloso defendeu o voto distrital puro, mas admitiu que, se for implantado o modelo misto, já haverá avanços expressivos. Ele aposta numa reforma trabalhista, mas destacou que reformar o sindicalismo é fundamental, uma vez que não há a necessária unicidade. Muitos sindicatos atuando na mesma faixa apontam para acordos para repasses do imposto sindical, que ele considera uma veia do fascismo. O ministro defendeu ainda o fim da reeleição e se mostrou cético sobre o caixa dois. A despeito do fim do financiamento empresarial, ele acha que a torneira vai continuar aberta.

 

Voz das ruas

Um dos mais enfáticos participantes do Conexão Empresarial foi o ex-ministro Roberto Brant, atual presidente da Confederação Nacional da Agricultura. Ele defendeu as manifestações das ruas, a partir de 2013, e advertiu que, se o povo voltar para casa, os avanços serão mínimos, pois a instância política, da qual fez parte como deputado constituinte, só se movimenta sob pressão. “Se a sociedade voltar para casa, eles – o sistema político – destroem tudo”, enfatizou.

 

Caso encerrado

O ministro Teori Zavascki, relator da operação Lava Jato, acolheu parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e arquivou o inquérito que investigava o deputado Júlio Delgado. A própria PGR recomendou o arquivamento por não ver procedência nas acusações feitas ao representante do PSB. Por meio de sua assessoria, o parlamentar comemorou e reforçou sua disposição de “sempre colaborar com as instituições brasileiras”.

Guilherme Arêas

Guilherme Arêas

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