JF pode ter 1.500 empresas canceladas


Por GRACIELLE NOCELLI

30/12/2015 às 07h00

Jucemg em Juiz de Fora receberá interessados em evitar cancelamentos até amanhã

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João Roberto diz que planejamento consistente ajuda a evitar fechamento de negócios

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Juiz de Fora pode ter 1.577 empresas canceladas até o próximo dia 31, conforme dados da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg). O número é 37% maior do que os 1.152 cancelamentos realizados no ano passado. A cidade foi a segunda no estado com o maior número de empresas notificadas este ano (1.624), atrás apenas de Belo Horizonte (5.196). Desde o aviso sobre o cancelamento, em julho, apenas 47 negócios regularizaram sua situação.

O cancelamento administrativo é feito quando a empresa não realiza qualquer tipo de movimentação de documento na Jucemg pelo período de dez anos consecutivos e não se pronuncia após a notificação. As empresas procuradas este ano estão desde janeiro de 2005 sem realizar transações. Em Minas, 38.583 empreendimentos correm o risco de serem cancelados.

Com a medida, a empresa é declarada inativa e perde automaticamente a proteção do nome empresarial. A situação é comunicada aos órgãos arrecadadores, como Receita Estadual,Receita Federal, Caixa Econômica e INSS. Apesar de ficar impedida de operar, a empresa não deixa de existir, o que implica que eventuais dívidas que ela possua continuam em vigor. “Não compete à Jucemg gerir débitos, nós somos responsáveis pelos atos empresariais. Quando a empresa é cancelada, ela não é extinta. Então, qualquer dívida ou processo judiciário continuam existindo com ela”, explica o supervisor do escritório regional, Alexandre Horsht.

Sobre o aumento do número de empreendimentos juiz-foranos sujeitos ao cancelamento, ele avalia que trata-se de um reflexo sobre a facilidade que o município oferece para a criação de novos negócios. “Juiz de Fora está bem colocada neste sentido. Nosso tempo médio para a abertura de uma empresa é de seis dias, e o empreendedorismo aqui é pujante. O que ainda acontece é que muitas pessoas têm boas ideias, mas ainda não sabem como gerir o empreendimento.”

Segundo ele, a falta de informação é o principal motivo que leva os empresários a não arquivarem documentos na Jucemg. “Há casos em que a empresa não está mais na ativa, mas o empresário precisa formalizar o encerramento das atividades”, relata. “Também há aquelas empresas que estão temporariamente paralisadas. Neste caso, é extremamente importante que o responsável entre em contato para não perder o nome empresarial, pois se após o cancelamento, ele decidir retomar o negócio, terá que fazer uma consulta para saber se o nome continua disponível ou se já está sendo utilizado por outro negócio”, orienta. ” O nome da empresa é o cartão de visita, é a estampa que o cliente já conhece.” Do total de 32.076 empresas canceladas em Minas Gerais em 2014, mais de três mil solicitaram a reativação.

Onde ir

Para evitar o cancelamento, o responsável deve comunicar à Jucemg se deseja manter a empresa em funcionamento, informar a paralisação temporária das atividades ou arquivar alterações contratuais ocorridas na última década. Isto é possível pelo site www.jucemg.mg.gov.br ou presencialmente na sede do órgão (Rua São Sebastião 713, Centro). Se achar necessário, o empresário pode buscar auxílio de um contador para a realização dos procedimentos. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3215-5778. O prazo para envio destas informações termina em 31 de dezembro.

Microempresa é maioria entre as notificadas

Do total das 1.624 notificações feitas em Juiz de Fora, 1.360, ou 83%, foram direcionadas às micro e pequenas empresas (MPEs). No ano passado, os pequenos negócios representaram 78% dos empreendimentos que foram cancelados na cidade. Na avaliação da Jucemg e do Sebrae, falta preparo para os empresários e, pensando nisso, eles planejam um projeto em parceria para o próximo ano. “A proposta é auxiliar o empreendedor de forma a reduzir estes números. Queremos criar uma estrutura que pretende instruir a pessoa que chegar aqui com a ideia de abrir o próprio negócio, de forma que ela saia com uma visão empresarial”, antecipa Alexandre.

Conhecimento

O gerente regional do Sebrae, João Roberto Marques Lobo, explica que a ideia de abrir uma empresa deve ser sempre o segundo passo de um empreendedor. “Antes é preciso buscar informação sobre o tipo de negócio, de mercado. Vemos muitas pessoas que começam desinformadas, sem um planejamento consistente, o que ocasiona o encerramento das atividades de forma prematura. É importante buscar auxílio para evitar este tipo de problema. Pode ser que após uma análise mais ampla, o empreendedor chegue à conclusão que não deve abrir aquele tipo de empresa.” O especialista destaca que quanto maior o conhecimento do empreendedor e as experiências por ele vividas na área ou em atividades similares em que pretende atuar, maiores serão as chances de sucesso.