Comércio cria estratégias para vendas


Por GRACIELLE NOCELLI

24/12/2015 às 07h00- Atualizada 24/12/2015 às 08h13

Comerciantes adotam ações típicas de liquidação, colocando araras de roupa para fora da loja (Marcelo Ribeiro/22-12-15)

Comerciantes adotam ações típicas de liquidação, colocando araras de roupa para fora da loja (Marcelo Ribeiro/22-12-15)

Lojistas também ofertam produto grátis na compra de mais de uma unidade (Marcelo Ribeiro/22-12-15)

Lojistas também ofertam produto grátis na compra de mais de uma unidade (Marcelo Ribeiro/22-12-15)

O comércio vai trabalhar até a última hora para conseguir sucesso nas vendas de Natal e sobreviver a um dos piores anos que o setor já enfrentou. O principal empregador da cidade perdeu 895 postos de trabalho entre janeiro e novembro, conforme dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). As contratações temporárias de fim de ano tiveram queda de 40%, caindo da projeção inicial de mil vagas para 600. O balanço parcial da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) mostrou que cerca de 300 lojas foram fechadas até agosto. Em meio a um cenário de tantas dificuldades, comerciantes recorrem a diferentes estratégias para despertar o interesse dos consumidores, recuperar as vendas e garantir fôlego para 2016.

Nas ruas, vitrines anunciam promoções e facilidades de pagamento. Na porta de alguns estabelecimentos, há personagens que chamam a atenção para a data. Em outros, o clima é criado com a execução de canções natalinas. Já na Galeria Prefeito Álvaro Braga, no Centro, os produtos “saíram” das lojas para “informar” que estão com até 50% de desconto. Mateus Henrique, proprietário da Baby Star, conta que esta é a primeira vez que precisou reduzir os preços em dezembro. “Nunca fizemos promoções nesta época, pois é sempre o melhor período de vendas. Mas este ano foi muito difícil, e agora é a hora de vender.” Com as araras em frente à loja exibindo produtos por até metade do preço, desde a última sexta-feira, ele diz que viu a demanda crescer. “Está aquém dos outros Natais, mas estamos vendendo, e vamos sobreviver. Não dá para desistir.”

A estratégia da loja de roupas Opção para garantir as vendas foi realizar uma promoção na qual na escolha de quatro peças, o consumidor leva a mais barata de graça. “Nós fizemos esta ação em alguns momentos ao longo do ano e tivemos bons resultados. Ela foi retomada no Natal para atrairmos maior número de clientes”, explica a supervisora Elisângela Machado. Segundo ela, o retorno já tem acontecido. “Estamos muito felizes porque a loja está cheia. Não está igual aos anos anteriores, em que tínhamos enormes filas nos caixas, mas estamos muito otimistas que teremos um bom Natal.”

Pelo oitavo ano consecutivo, o Papai Noel em frente à Kika Colorida atrai olhares de crianças, adultos e convida os juiz-foranos às compras. “Ele é um grande atrativo por conta da magia que o personagem tem no imaginário das pessoas. As crianças chegam até ele, conversam, abraçam e entregam cartas gratuitamente. Caso os pais queiram que nossa equipe tire fotos, nós cobramos pelo serviço. Este ano inovamos com a criação de um calendário 2016 com a imagem da criança”, explica o gerente de vendas Walter Chagas.

Segundo ele, o retorno tem sido excelente. “Nossa loja é segmentada. Enquanto o setor de eletroeletrônicos teve queda de 11% nas vendas, o de serviços cresceu 31%. Percebemos que o consumidor não quer deixar de presentear, mas está optando por produtos mais em conta. As fotos, as canecas personalizadas e os calendários estão entre os mais solicitados. Coincidentemente, as vendas aumentaram desde quando o Papai Noel está na porta da loja.”

Ao se deparar pela primeira vez pessoalmente com o Papai Noel, na loja da Kika, o pequeno Pietro, de 3 anos, não conteve a emoção. O grito de surpresa e a vontade de abraçar o bom velhinho fizeram com que a família parasse para tirar fotos. “Ele tem falado muito no Papai Noel, e é incrível como o comportamento dele melhorou desde que explicamos que é preciso ser um bom menino para ganhar presente”, relata o pai Filipi Dias Ferreira, 23 anos.

Próximo ano não será fácil

O Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF) concorda que agora é a hora de vender, e todos os esforços são válidos para obter bons resultados. “Infelizmente, os segmentos do comércio que não dependem do Natal já estão fechando as contas de 2015 com um resultado ruim. Para quem a data ainda é uma oportunidade de vender, todas as estratégias são válidas. É muito bom acompanhar os empresários motivados e fazendo tudo o que podem”, avalia o presidente Emerson Beloti.

Ele destaca que o ano de 2016 não será fácil, e quem conseguir bons resultados agora pode fazer com que os meses de janeiro e fevereiro tenham menor impacto negativo. “Esses dois meses já são difíceis para o nosso setor, por isso, conseguir bons resultados agora é garantir um fôlego para o próximo ano, que começa após o Carnaval.”

Confirmando que 2015 fica para a história como um dos piores anos para o comércio, Beloti diz que aguarda mudanças no cenário político e econômico que possam trazer mudanças efetivas para o setor. “Todos nós somos afetados por esta instabilidade que estamos vivendo. O comércio é um dos principais atingidos, pois sem emprego ou com a renda encurtada, ninguém consome. Nós desejamos que essas situações externas sejam resolvidas para voltarmos a crescer.”

O comércio funciona hoje das 8h às 18h