O Brasil vive um boom nas corridas de rua. Em 2024, foram registradas quase 3 mil provas oficiais em todo o país — um aumento de 29% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua. Entre os desafios mais populares está a maratona, com seus exigentes 42,195 quilômetros.
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Além dos benefícios à saúde, como melhora no condicionamento cardiovascular, no controle glicêmico e na manutenção do peso, a prática também traz alertas.
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A morte de um jovem de 20 anos durante a Maratona Internacional de Porto Alegre, no último dia 7 de junho, reacendeu a discussão sobre os riscos do esforço extremo. Afinal, completar uma maratona exige mais do que preparo físico: o corpo passa por um processo intenso de adaptação para suportar o esforço prolongado.
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Durante a prova, o organismo entra em estado de alta demanda. Músculos consomem grandes quantidades de energia e oxigênio, o coração acelera para garantir o fornecimento sanguíneo, e a respiração se intensifica para manter a oxigenação. Há ainda aumento da temperatura corporal e perda significativa de água e sais minerais pelo suor.
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O metabolismo, então, age como uma engrenagem ajustada: alterna o uso de carboidratos e gorduras para manter a energia até o fim da prova. O cérebro também entra em ação, aumentando a tolerância ao desconforto e ajudando o atleta a lidar com a fadiga.
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Um estudo publicado em 2017 no International Journal of Exercise Science mostrou que, em corridas longas, os níveis de cortisol e alfa-amilase — substâncias associadas ao estresse físico e emocional — inicialmente sobem, mas podem ser reduzidos em distâncias extremas, como forma de preservar o desempenho sob pressão.
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Ao cruzar a linha de chegada, começa uma nova etapa: a recuperação. Nas primeiras 24 a 48 horas o corpo passa por reações esperadas, como dores musculares, fadiga e alterações no sono e apetite. Enzimas como a creatina quinase (ligada à produção de energia nas células musculares) e a troponina (indicadora de estresse cardíaco) costumam estar elevadas, sinalizando a sobrecarga.
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O sistema imunológico também se fragiliza temporariamente. Esse período de vulnerabilidade, chamado de “janela aberta”, pode durar de 24 a 72 horas. Segundo uma metanálise publicada em 2024 na Exercise Immunology Review, maratonistas têm risco aumentado de desenvolver infecções respiratórias durante esse intervalo, por causa da supressão temporária da imunidade.
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A recuperação completa pode levar de 10 a 20 dias, a depender do condicionamento do atleta, da intensidade da prova, da alimentação e da qualidade do sono.