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Dimensão pastoral da Igreja

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O padre jesuíta João Batista Libânio, escritor, teólogo e professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em recente entrevista ao Instituto Humanitas da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), em São Leopoldo (RS), destacou que a teologia do Papa Francisco se distingue dos anteriores pelo acento na dimensão pastoral. Na avaliação do teólogo, os dois papas anteriores se empenharam em transmitir nas viagens, com a consciência da própria responsabilidade da unidade e da guarda do depósito da fé, a doutrina oficial da Igreja. E falavam longamente de temas teológicos ou da moral. O Papa Francisco fez outra opção. Preferiu o discurso direto, próximo das pessoas, a tocá-las pela transparência da presença e por teologia simples, acessível com toque pessoal e afetivo. Para ele, sem sentir e ouvir as pessoas, as falas não atingem.

Ao comentar as declarações do Papa sobre a necessidade de uma conversão pastoral, Libânio disse que conversão pastoral significa precisamente isso: proximidade do sofrimento, das angústias, da vida das pessoas, e daí falar-lhes palavras de conforto, de estímulo, de coragem, de esperança, a partir da fé em Jesus Cristo e na Igreja. Repetiu em várias circunstâncias, quase à guisa de refrão, duas frases: não tenham medo e mantenham a esperança viva! Espera-se, portanto, da Igreja institucional que saia dos rincões fechados e vá às ruas encontrar e dialogar com as pessoas em seus problemas e dificuldades. Portanto, uma Igreja mais pastoral, que administrativa a visar ao encontro e diálogo com o povo, e não à organização. Eis a conversão pastoral!.

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Uma Igreja mais pastoral para Libânio, nas palavras do Papa, está marcada no uso de expressões fortes do agir de Deus nela: humildade, surpresa, reconciliação. Toca-nos esperar a lentidão de Deus, o reconhecimento do mistério que habita o povo, em vez de enveredar-nos pelo caminho da racionalização apressada. Em lugar da riqueza dos recursos, desenvolvamos a criatividade do amor. Insiste em não ceder ao medo, desencanto, desânimo, lamentações! Em seu lugar, ter coragem e ousadia, sair às ruas, dialogar com as pessoas, ouvi-las nas mais diversas situações, sem preconceitos, sem juízos prévios, caminhando a seu lado.

O teólogo lembra que o Papa Francisco não começa o pontificado como se a Igreja não tivesse nenhuma história e tradição que merecesse ser respeitada. Percebe que no passado se cristalizaram estruturas hoje caducas. O jogo difícil lhe é pedido de discernimento, aliás, carisma dos jesuítas, de manter a tradição em tensão com a inovação. A ordenação das mulheres é um dos casos difíceis. É sabido que houve ordenações de diaconisas no início da Igreja, mas não de presbíteras. Até onde os conceitos de então são idênticos aos de hoje? Afirmações contundentes de papas anteriores manifestaram-se mais tarde equivocadas.

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