O tema do envelhecimento em nossa cidade tem chamado a atenção da mídia local, o que favorece, e muito, a visibilidade social das pessoas idosas para as suas necessidades e interesses, até porque os idosos de hoje não querem mais a imagem que foi passada pela sociedade sobre eles. A associação de idosos com pijamas e tricô vem perdendo força substancialmente nos últimos anos. Os pesquisadores da área referem-se a uma nova cultura do envelhecimento que esses novos idosos estão construindo nos dias atuais. E a mídia vem acompanhando essa silenciosa transformação.
Vejamos por aqui onde teima em passar o Rio Paraibuna. Pela primeira vez na história dessa cidade percebo que a questão da velhice entrou para valer na agenda do poder legislativo. Com 23 anos de trabalho social com idosos na cidade, é a primeira vez que presencio e participo de reuniões sistemáticas e produtivas convocadas pela Câmara Municipal para buscar coletivamente respostas para as questões que envolvem os cidadãos idosos de Juiz de Fora. Percebo também que diariamente os meios de comunicação da cidade não deixam de trazer nos seus instrumentos midiáticos assuntos relacionados às condições de vida dos idosos.
Sinal dos tempos. A mídia está chegando mais na cobertura sobre a velhice da cidade. Até então, uma pauta que não dava ibope hoje dá: o mundo é outro e está envelhecido; nossa cidade também. O tema da velhice das pessoas, a nossa velhice, como diria o sábio ex-Titãs Arnaldo Antunes, não há nada mais moderno hoje do que envelhecer, está ganhando as ruas. Uma nova sociedade, uma outra cidade é preciso para que os idosos (eu amanhã) tenham um tratamento melhor, de mais respeito por parte de toda a nossa comunidade.
Reveste-se de uma grande oportunidade, nesse momento, a realização, esta semana, da III Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa em Juiz de Fora, no Instituto Granbery, quando estão sendo debatidos temas importantíssimos para a cidade sobre a vida dos idosos: como está a aplicação da Política Nacional do Idoso em JF? Qual a importância da participação dos cidadãos idosos em órgãos representativos? O que a cidade de Juiz de Fora oferece, do ponto de vista da Gestão Pública, para os idosos que aqui vivem? Essas e outras interrogações serão vistas e revistas no trabalho de grupos temáticos que vão se debruçar sobre essas reflexões. E que não fiquem essas questões esquecidas depois do término da conferência, como é muito comum de acontecer.
O trabalho da mídia é fundamental para o avanço da nossa luta no reconhecimento e na consolidação pela sociedade dos direitos dos idosos há muito assegurados em arcabouços jurídicos-institucionais. De leis estamos fartos, precisamos é de transformação no cotidiano das pessoas idosas promovido por elas.
