Congestionamentos a qualquer hora, ruas e avenidas lotadas de veículos estacionados em suas laterais – diminuindo o espaço para o tráfego -, discussões banais no trânsito, acidentes, um verdadeiro caos. Este cenário, que antes era típico dos grandes centros urbanos, já afeta cidades de médio porte como Juiz de Fora. Não existe mais o “horário de pico”. E a tendência não é animadora com a licitação de 105 novas placas de táxi e a construção de um shopping popular na região central.
Esta realidade é resultado de uma política incentivadora na aquisição de automóveis, em detrimento de investimentos no transporte público, que condena e coloca em colapso as vias públicas. Estamos sentindo na pele os efeitos do aumento da população e do seu poder de consumo. Quando se trata de mobilidade urbana, temos a sensação de que, se resolvemos de um lado, complicamos do outro. E a grande questão que surge é: existe solução? Sim. Que agrade a todos? Não, isso é fato.
A medida implantada na Rua Floriano Peixoto, impossibilitar o estacionamento nas laterais, é um exemplo, que deve ser estudado e expandido para as demais vias da região central. Desta forma, teremos uma significativa redução e melhora no fluxo de veículos na área, espaço para maior fluidez no trânsito, possível criação de ciclovias ou ciclofaixas – demanda antiga dos juiz-foranos – e um consequente incentivo à utilização de outros meios de locomoção, como bicicletas e ônibus.
Para que tenhamos um transporte sustentável e de qualidade, seja público ou não, é preciso ter planejamento e investimentos. Entendo que é dever do Estado garantir a mobilidade urbana e não utilizar-se das vias públicas para gerar receita, alugando vagas de estacionamento. Entretanto, todos nós podemos e devemos ser mais participativos na gestão pública. Precisamos aprender a deixar de lado nossos anseios individuais e a compreender que algumas ações serão em prol de um bem comum. Precisamos, sim, aprender a pensar de forma coletiva, a pensar no futuro e o que queremos para ele.
