Como em todo período eleitoral, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, no início de setembro, o documento da campanha Vote consciente, elaborado pelo secretário-geral Dom Leonardo Ulrich Steiner, com o objetivo de alertar aos cristãos do país sobre a importância do processo eleitoral e a escolha de seus mandatários. O texto atenta os eleitores para a importância de se votar em candidatos Ficha Limpa, lembrando que é um dever de todos, especialmente das entidades e organizações que têm responsabilidade com a construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna.
Com a campanha Voto consciente, elaborada a partir de convite do próprio TSE, a CNBB faz valer a tradição de sempre dar sua contribuição nas campanhas eleitorais com orientações aos seus fiéis e a todos os cidadãos, firmadas na ética e na cidadania à luz do Evangelho. De acordo com o documento, a participação da Igreja na vida política do país tem sua razão mais profunda na consciência evangélica de sua missão (cf. Doc. 40, n. 203). O papa Bento XVI lembra que a Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça (Deus caritas est, 28).
O desencanto da população com a política é atribuído às inúmeras denúncias de corrupção e desvio de conduta, à impunidade e à complacência com os culpados. É oportuno, portanto, recordar que a recuperação da política passa pela moralização dos políticos como verdadeiros ‘homens de Estado’, e não ‘negociantes do poder’, enredados em jogadas pessoais. Isso exige romper os laços entre política e negócios privados, como já havia afirmado a CNBB em seu documento Ética: Pessoa e Sociedade. Estamos convencidos de que um dos caminhos para se alcançar este propósito é uma reforma política ampla e consistente que estanque os caminhos da corrupção e amplie os canais de participação popular nas decisões do Estado.
Lembra o documento: a Lei 9.840, que combate a compra de votos e o uso da máquina administrativa, fruto também de iniciativa popular, merece toda nossa atenção. Há mais de dez anos em vigor, ela é responsável pelo afastamento de inúmeros políticos cujos comportamentos feriram a ética. A recente Lei de Acesso à Informação se revelou um eficaz instrumento também para a transparência no financiamento das campanhas eleitorais. Inspirado nela, o TSE tomou a inédita decisão de exigir dos candidatos a prestação de contas dos recursos de campanha ainda durante o processo eleitoral, como já haviam feito alguns juízes eleitorais em determinados estados do país.
