É indiscutível o crescimento da violência, principalmente entre jovens, em Juiz de Fora. Segundo informações extraoficiais, 75% dos homicídios ocorrem entre 15 e 21 anos de idade com forte presença das armas de fogo, algo que tem assustado a todos, principalmente por se tratar de um número crescente de homicídios ou tentativas por este tipo de arma. Muito se tem feito no sentido de entender este cenário: a imprensa, com ampla divulgação, movimentação das polícias Civil e Militar, seminários, proposições educativas e de ações sociais, entre outros.
Assim, são muitos os diagnósticos: ausência de políticas públicas, desestruturação familiar e carência de policiais figuram entre algumas das causas apontadas. A verdade é que, isoladamente ou em conjunto, há relevância em cada uma delas. Porém, as ações para reversão deste quadro distam e muito para soluções a curto e médio prazo. Dados do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolvidos por meio de trabalho, no início da década passada, em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, apontam para a relação entre a facilidade de acesso a armas de fogo como fator facilitador de ocorrências criminais em várias situações de conflitos cotidianos, muitos deles banais, que acabam por levar inclusive pessoas sem qualquer passado de delinquência para esta esfera criminal.
Pesquisas nos EUA e Europa Ocidental também sinalizam que armas de fogo aumentam os índices de ferimento e mortes entre as pessoas. Ainda que pese no Brasil as leis estaduais e federais de 2001 e a do desarmamento voluntário de 2004, o aumento do uso de armas de fogo no país através da comercialização, roubo e tráfico cresceu de forma alarmante.
Entre tantas medidas de combate e redução da violência, talvez a única isoladamente que possa trazer benefícios mais imediatos está na repressão ao seu porte e uso através do rigor, fiscalização, investigações e repressão ao uso destas armas. E isto deve ser feito sem escrúpulos, como por meio de blitz no trânsito, disque-denúncia, controle das casas que comercializem armas, rigor nas apreensões e guarda de armas pela Polícia Civil, Exército e Polícia Militar, assim como a entrada das mesmas pelas nossas fronteiras.
É preciso haver rigor na lei de concessão de porte, com critérios mais rígidos de uso e liberação fora do âmbito policial apenas para clubes de tiro. O rigor na punição àqueles que burlarem as leis completaria uma mudança de postura que intimidaria e reverteria as ocorrências de violência facilitadas ao seu uso. Há muito para ser feito durante longo e médio tempo, mas há algo que pode ser feito já para acelerar a implementação de outras ações de forma mais segura e definitiva.
