Deixamos o Centro da cidade quando as crianças saíram do ensino médio e foram para a faculdade. Por este e por outros motivos, pensamos, morar em uma casa no bairro é investir em qualidade de vida. Isto é, em parte, verdade, se morássemos em uma cidade em que o Poder Público tivesse, como escopo, o bem-estar dos munícipes. Mas nossa qualidade de vida é justamente comprometida pela ineficácia dos serviços públicos. Todos os dias, padecemos com o transporte público e com a coleta de lixo.
Com o primeiro, aprendemos que, para uma simples necessidade de ir ao Centro, a 15 minutos do bairro, devemos reservar uma manhã ou uma tarde inteira, em face da frequência de ônibus. Já com a coleta de lixo, ainda estamos tentando entender como funciona. Por informações dos antigos moradores, soubemos que acontecem às terças, quintas e sábados, presumidamente no meio da manhã.
Para usufruir desse regular serviço, temos que colocar o lixo acondicionado em sacos, à porta da residência. Mas a realidade não é bem assim, principalmente em feriados prolongados entre quinta e domingo, ou no carnaval. Neste, então, faz-se necessário o plantão dos moradores. Nesse período, usufruir da coleta necessita atenção, solidariedade e boa vizinhança. O caminhão, ou passa muito cedo, ou muito tarde. Acontece então a passagem rápida do caminhão coletor, igual ao saudoso Ayrton Senna: sem pit stop. Não levam nosso lixo, nem de ninguém, evidentemente, porque não está em nossa porta àquela hora.
O normal mesmo, nos feriados prolongados, é não passar, quando somos obrigados a acondicionar o lixo por pelo menos cinco dias em nossas casas. Quando morava no Centro, eu sempre ouvia, numa rádio local, reclamações dos moradores, acreditava que era um reclame pontual, mas vejo que não. Aqui no meu bairro e nas adjacências, é comum ver lixo acumulado três, cinco dias nas ruas. Na terça de carnaval, o motorista do caminhão estava com ares de Ayrton Senna. Fui pará-lo na outra esquina, casualmente, porque acordei muito cedo.
Esse serviço está diretamente ligado às questões de saúde e higiene pública. As autoridades responsáveis devem olhar com mais atenção e zelo, não pelos impostos, mas por ser de direito de todos os munícipes. Falta mesmo somente uma correta programação e fiscalização.
