A falta de verbas é o que provoca a falta de visionários, ou é a falta de visionários sérios e práticos que não atrai as verbas?
A maior dificuldade para resolver os problemas de uma cidade é não conhecer as suas origens, o trâmite da sua história e, além disso, a falta de coração, que é a própria coragem, etimologicamente também falando.
Se um Halfeld visse lá de Bonn, jamais poderia projetar uma Avenida Barão do Rio Branco, a não ser que tivesse visto o vale virgem, que devia ser lindo. No entanto, hoje, precisamos de ir lá em Bonn para projetar uma Juiz de Fora diferente, para servir aos propósitos de cada um dos interessados? Será que todos conhecemos bem o que está acontecendo?
Quando são isolados os interesses privados, mas os incluem pela legislação falha para se fazer o que se deve, com técnicos gabaritados e pela ciência total que está à nossa disposição, o que deveríamos pensar? Eu, particularmente, não sou técnico da área, mas já vi Curitiba e já vi Belo Horizonte, para não ter que citar outras tantas pelo mundo ou por aqui mesmo. Ciclovias e metrôs de superfície existem em outras tantas metrópoles, até mais antigas do que a nossa. O que estaria faltando?
Os problemas não precisam ser citados. O que devemos apresentar não é aquela saída fácil, que gera riqueza falsa. Solução ou soluções devem ser colocadas como metas.
Não vejo outra alternativa senão termos, nos quadros administrativos municipais, aqueles técnicos que servem à Basf, e a tantas outras do mesmo talante, para dar visão ao chefe, que só tem que confiar, arregimentar e assinar para o bem maior.
Outro dia, escrevi uma crônica no Facebook sobre ciclovias e acabei desenvolvendo uma visão de uma cidade administrativa em Linhares, com todos os serviços públicos essenciais que atrairiam todos os serviços privados, como abelhas para as flores, e daí o mel desejado.
Para deslocar a cidade, com todos os serviços de todas as espécies e esferas de poder- seja fórum, polícias, previdência, executivo, legislativo e judiciário -, importaria dizer que, lá em Linhares, a título de exemplo, mas poderia ser também lá na Deusdedit Salgado, atrairia todo um arcabouço de negócios novos para a Manchester Mineira. Linhas de ônibus seriam criadas, e desafogaríamos o trânsito do centro nervoso.
O aeroporto de Goianá não teria um caminho novo por Chácara? Pensem nisto: se tudo fosse lá, em Linhares, ou seja, a nossa cidade administrativa, teríamos uma nova fonte de recursos e fluidez. Sobrariam tempo e dinheiro para pensar na duplicação das linhas férreas e fazer um metrô de superfície ligando Benfica a Matias, permitindo que o cidadão ficasse contente ao sair do Mariano, e o deixando, em cinco minutos, na Praça da Estação. Só queria que pensassem nisto.
